Álvaro Dias e a síndrome do bolsonarismo seletivo
- Fernando Mineiro

- 21 de mai.
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O que o candidato bolsonarista ao Governo do Rio Grande do Norte tem a dizer sobre o BolsoMáster, escândalo que envolve diretamente vários bolsonaristas e Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República apoiado por ele? Alguém sabe?
Alguém viu algum posicionamento de Álvaro Dias sobre a maior fraude do sistema financeiro da história do Brasil e sobre o empréstimo de R$ 134 milhões que seu principal aliado nacional pediu ao banqueiro Daniel Vorcaro?
Será que o ex-prefeito de Natal concorda com a quantidade de versões diferentes apresentadas por Flávio Bolsonaro para tentar explicar o nebuloso empréstimo destinado à produção de um filme cujo dinheiro, curiosamente, nunca apareceu na conta da produtora responsável pela obra?
Álvaro Dias fez questão da presença de Flávio Bolsonaro no lançamento de sua pré-candidatura, em março deste ano, em Natal. As fotos foram divulgadas com entusiasmo, os discursos vieram carregados de afinidade política e acenos ideológicos. E agora? Vai fingir distância? Nenhuma palavra de solidariedade? Nenhuma demonstração pública de confiança na honestidade do candidato em quem pretende votar para presidente?
Chama atenção o silêncio de um político que sempre encontrou tempo para espalhar desinformação e terceirizar responsabilidades sobre a péssima gestão à frente da Prefeitura de Natal. Para atacar adversários, o discurso aparece rápido. Para defender aliados atolados em escândalos, a coragem evapora.
E talvez esteja aí o ponto mais revelador dessa história: o bolsonarismo potiguar adora vestir a camisa do movimento enquanto rende voto, curtida e palanque. Mas quando surgem denúncias, contradições e suspeitas difíceis de explicar, muitos descobrem, de repente, a importância estratégica do silêncio. Afinal, posar ao lado é fácil. Difícil é permanecer junto quando o roteiro deixa de ser propaganda e começa a virar caso de polícia.



