A máfia do INSS tem as digitais do bolsonarismo
- Fernando Mineiro

- 8 de abr.
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A oposição bolsonarista até tentou uma manobra para barrar o avanço das investigações, mas não conseguiu impedir que o relatório da maioria, elaborado ao final da CPMI da Máfia do INSS, chegasse aos órgãos de fiscalização e controle.
Nesta terça-feira (7), a bancada do PT no Congresso Nacional entregou um documento robusto, consistente e recheado de provas à Polícia Federal, à Controladoria-Geral da União, à Procuradoria-Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal.
O relatório pede o indiciamento de 130 pessoas e a continuidade das investigações contra outros 71 agentes públicos e privados — entre eles Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e o ex-ministro Onyx Lorenzoni.
Segundo a CPMI, esse núcleo teve papel central no escândalo: não apenas promoveu nomeações estratégicas, como também atuou para enfraquecer mecanismos de controle, abrindo espaço para entidades fantasmas e descontos ilegais nas contas de aposentados e pensionistas. O resultado foi devastador: a maior fraude previdenciária já registrada no país.
Nada é por acaso ou coincidência. A chamada Máfia do INSS ganhou força a partir de 2019, durante o governo Bolsonaro. E só veio à tona graças à atuação de órgãos de fiscalização que, durante o governo Lula, passaram a operar com mais autonomia e independência.
A CPMI também identificou uma série de ilegalidades em entidades reais e fictícias que efetuavam os descontos indevidos e pagavam empresas fantasmas para “prestar serviços de assistência” que nunca foram realizados, ou seja, um esquema de lavagem de dinheiro.
Entre as entidades reais investigadas estão a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Rurais (CONAFER) e a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e da Aquicultura (CBPA), criada em 2020 e presidida pelo potiguar Abraão Lincoln Ferreira da Cruz. O relatório da maioria também pediu o indiciamento dos dirigentes das duas entidades.
Também chama atenção o papel de outro potiguar, o senador Rogério Marinho (PL), que participou diretamente de um acordo que alterou regras importantes das aposentadorias. A emenda à Medida Provisória 871, articulada por ele, ampliou de um para três anos o prazo de revisão de benefícios, flexibilizando normas e, na prática, abrindo brechas que facilitaram irregularidades.
Diante de tudo isso, não há mais espaço para dúvidas: o escândalo carrega as digitais do bolsonarismo e precisa ser tratado com a seriedade que o caso exige.
Agora, a sociedade aguarda mais do que respostas, espera justiça. Que os órgãos de controle atuem com rapidez, garantindo o direito à defesa, mas sem permitir que a impunidade prevaleça. Porque, no fim das contas, não se trata apenas de números ou relatórios: estamos falando milhões de brasileiros que confiaram no sistema e foram lesados. E essa conta não pode, mais uma vez, ficar para quem sempre paga.



