A soberania brasileira não pode ser terceirizada
- Fernando Mineiro

- 30 de mai.
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A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas não é apenas uma questão de segurança pública, mas de soberania nacional. Não por acaso, especialistas, diplomatas e o próprio presidente Lula reagiram com preocupação à medida.
Pela legislação americana, a classificação de grupos estrangeiros como organizações terroristas amplia significativamente o poder de ação do governo dos EUA fora de seu território, inclusive com operações e intervenções sem necessidade de autorização prévia do Congresso americano. É exatamente essa brecha que acende o alerta em Brasília.
Isso não significa minimizar a gravidade do PCC e do Comando Vermelho. Pelo contrário. O Brasil conhece melhor do que ninguém a violência dessas facções e tem o dever de combatê-las com suas próprias instituições, leis e forças de segurança. O governo Lula, inclusive, vem adotando medidas nessa direção, como a lei antifacções e o Plano Nacional de Segurança Pública, fortalecendo o combate efetivo ao andar de cima, pegando quem financia o crime organizado.
O problema é que parte da oposição, que agora tenta posar de linha-dura no combate ao crime, trabalha para tentar enfraquecer essas políticas, a exemplo da atuação para retirar a arrecadação com as Bets como fonte de financiamento de ações de segurança. Combater o crime organizado exige recursos, inteligência e coordenação estatal, não convites para interferência estrangeira.
A soberania brasileira não pode ser terceirizada.



