Adolescentes e saúde mental no Brasil: o retrato do sofrimento de uma geração
- Blog do Mineiro

- 1 de abr.
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É assustador o quadro revelado pelo IBGE sobre a saúde mental de nossos jovens e adolescentes.
Temos uma geração de meninos e meninas tristes, sem perspectiva, em estágio avançado de sofrimento psíquico e que precisa, urgentemente, de ajuda.
Em um universo de quase 120 mil alunos ouvidos pela pesquisa, 42,9% disseram se sentir irritados ou nervosos por qualquer motivo. Para 18,5% dos entrevistados, a vida não vale a pena ser vivida; e 30% já sentiram vontade de machucar o próprio corpo.
Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), referente ao ano de 2024. O estudo foi desenvolvido e divulgado pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde e em colaboração com o Ministério da Educação.
As estatísticas moldam um cenário que choca e nos obriga à reflexão. Estamos falando de jovens entre 13 e 17 anos, em idade escolar, mas que carecem de acolhimento tanto em casa quanto na escola.
Entre as meninas, mais sobrecarregadas, a tristeza e os sintomas depressivos se manifestam com maior intensidade.
Esse recorte de gênero reforça o desequilíbrio entre homens e mulheres também no adoecimento mental.
As meninas sentem-se mais tristes sempre ou na maioria das vezes em comparação aos meninos (41% a 16,7%); são maioria entre os jovens que já sentiram desejo de se machucar (43,4% a 20,5%); se sentem mais mal-humoradas por qualquer motivo (58,1% a 27,6%); e também são maioria entre os jovens que acham que a vida não vale a pena (25% a 12%).
O estudo do IBGE mostra também que a maioria dos alunos não conta com acompanhamento psicológico nas escolas.
A pandemia agravou ainda mais o sofrimento psíquico dos jovens, e a depressão figura entre as principais causas de adoecimento entre adolescentes no mundo.
Organizações de saúde, como a OMS, o UNICEF e a Fiocruz, defendem mais investimentos em profissionais capacitados para atender à demanda, na ampliação da estrutura física e humana dos CAPS para um tratamento adequado e na formulação de políticas públicas com recorte de gênero, raça e território.
Num passado recente, durante o governo Bolsonaro, o Brasil assistiu à desestruturação de políticas fundamentais nessa área. A descontinuidade de conselhos, o enfraquecimento da participação social e o incentivo a práticas ultrapassadas, como o modelo manicomial e as internações compulsórias, representaram um grave retrocesso no cuidado com a saúde mental.
Diante desse cenário, é preciso afirmar com clareza: não se trata apenas de estatísticas, mas de vidas em formação que estão sendo negligenciadas. O país que queremos construir passa, necessariamente, pela forma como cuidamos de sua juventude.
Por isso, a escolha que se coloca no horizonte não é apenas política — é civilizatória. Entre o abandono que adoece e o cuidado que transforma, é urgente optar por um projeto que reconheça a saúde mental como prioridade, recoloque o acolhimento no centro das políticas públicas e devolva aos nossos jovens aquilo que lhes é mais essencial: a possibilidade real de viver com dignidade, esperança e futuro.



