Bolsonaristas tentam sabotar aprovação da escala 5 x 2 com nova manobra
- Fernando Mineiro

- 27 de mai.
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Os bolsonaristas seguem insistindo em sabotar o projeto que põe fim à escala 6 x 1 e reduz a jornada de trabalho no Brasil. Nas últimas semanas, foram várias tentativas: defenderam uma transição absurda de 10 anos, protocolaram uma emenda propondo ampliar a jornada para 52 horas — deixando a definição da escala para negociações entre patrões e empregados — e pediram vista para adiar a tramitação da proposta e ganhar tempo para pressionar parlamentares nos bastidores.
Agora, surge uma nova jogada: o anúncio de apoio à jornada 4 x 3. À primeira vista, a proposta pode parecer mais avançada e favorável aos trabalhadores. Mas basta observar o cenário político para entender que se trata de mais uma manobra para inviabilizar a aprovação da jornada 5 x 2.
Para aprovar uma PEC, são necessários pelo menos 308 votos na Câmara dos Deputados. Hoje, já existe uma articulação concreta para alcançar os votos necessários em torno dessa proposta. Um acordo firmado entre a Câmara dos Deputados e o governo Lula prevê que, 60 dias após a aprovação do projeto pelo Congresso Nacional, a jornada semanal seja reduzida para 42 horas e, em até um ano, para 40 horas. E o PL sabe disso.
Ao dizer que defendem a escala 4 x 3, os bolsonaristas tentam confundir a população e atrair parlamentares que já haviam sinalizado apoio ao texto original, fragmentando votos e dificultando que a proposta alcance o mínimo necessário para aprovação.
Os próprios bolsonaristas sabem que a redução da escala para 4 x 3 não possui viabilidade política no atual Congresso. O objetivo real não é aprovar uma escala mais justa, mas dividir os votos e com isso impedir que se tenha o número mínimo necessário para aprovar a redução para a escala 5 X 2.
É a velha lógica do bolsonarismo: quando não conseguem derrotar um direito de forma direta, criam confusão, atrasam debates e apostam no caos para impedir mudanças sociais.
A votação na Comissão Especial que analisa o projeto e no plenário da Câmara está marcada para esta quarta-feira. Espero que o calendário seja mantido e que o acordo firmado seja cumprido.
Mas é preciso atenção redobrada. Este é o momento de as centrais sindicais e a sociedade fortalecerem as mobilizações e cobrarem a aprovação do projeto, pressionando deputados e senadores a votar pelo fim da escala 6 x 1, garantindo dois dias de descanso semanal sem redução salarial e a redução da jornada para 40 horas semanais.



