Centrão e extrema direita articulam golpe contra o fim da escala 6 x 1
- Fernando Mineiro

- 19 de mai.
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A oposição aos trabalhadores brasileiros no Congresso Nacional articula uma emenda ao projeto que põe fim à escala 6 x 1 para que a redução da jornada de trabalho só comece a valer daqui a 10 anos. A proposta ainda oferece uma série de contrapartidas absurdas aos empregadores.
A iniciativa é do deputado Sérgio Turra (Progressistas-RS) e já vem sendo endossada, na Comissão Especial que debate a matéria, por parlamentares ligados ao centrão e à extrema direita.
Essa é uma ameaça real e um claro boicote ao projeto original, que reduz de 44 para 40 horas semanais a jornada de trabalho, garantindo dois dias de descanso sem redução salarial.
Só existe uma forma de barrar esse ataque ao fim da escala 6 x 1: ampliar as mobilizações nos estados para pressionar deputados e senadores a aprovarem a PEC apresentada pelos deputados Erika Hilton (Psol-SP) e Reginaldo Lopes (PT-MG), cujos pontos centrais são os mesmos da proposta enviada ao Congresso pelo presidente Lula.
Como membro suplente da Comissão Especial da Câmara dos Deputados, tenho acompanhado de perto esse debate e as articulações que antecedem a votação final. Este é um momento decisivo. Está marcada para amanhã (quarta-feira) a leitura do relatório que põe fim à escala 6 x 1 e reduz para 40 horas semanais a jornada de trabalho que hoje é de 44 horas. A votação na comissão está marcada para o dia 26 de maio e, no dia seguinte, o projeto seguirá para o plenário, onde será apreciado pelos 513 deputados da Casa.
Não é hora de baixar a guarda. Pelo contrário: é o momento de ampliar a pressão popular para que não haja nenhuma manobra da direita, nos próximos dias, no sentido de fragilizar o projeto. Não existe, na história da República brasileira, conquista social sem mobilização da sociedade. Todos os direitos trabalhistas que hoje parecem naturais — férias, 13º salário, jornada limitada, descanso semanal — nasceram da luta coletiva e da pressão popular.
O fim da escala 6 x 1 pode representar uma das maiores conquistas trabalhistas das últimas décadas. Mas nenhuma mudança dessa dimensão será concedida espontaneamente por um Congresso cada vez mais pressionado pelos interesses do grande empresariado. Se o povo não ocupar as ruas e as redes, os mesmos parlamentares que discursam em defesa do trabalhador continuarão votando para manter milhões de brasileiros presos a uma rotina desumana de exaustão e ausência de vida.



