Chuvas não causam tragédias - a má gestão, sim
- Fernando Mineiro

- 4 de mai.
- 2 min de leitura

As chuvas não podem ser responsabilizadas pelos desastres ambientais com impactos cada vez maiores nas grandes cidades brasileiras. Este é um caso clássico de má gestão administrativa e falta de planejamento, que ignora as mudanças climáticas e coloca em risco a vida da população.
Tragédias como a que assistimos no Rio Grande do Sul, em 2024 — na qual 2,4 milhões de pessoas foram afetadas, com 185 mortes confirmadas e 440 mil obrigadas a deixar suas casas — poderiam ter sido evitadas ou, ao menos, ter seus efeitos reduzidos.
Da mesma forma, os recentes estragos provocados em Pernambuco e na Paraíba são consequência de uma série de decisões equivocadas ao longo de décadas de má gestão.
Hoje, existe uma profusão de dados e informações que, com o auxílio da tecnologia, reduzem a margem de erro das previsões e contribuem para o enfrentamento de crises e ameaças climáticas antes que o pior aconteça.
Em Natal, tenho cobrado, há vários anos, uma solução para os problemas de alagamentos em vias públicas, nas casas de moradores periféricos e, agora, até na principal praia urbana da cidade — efeito de uma obra mal executada e com graves indícios de irregularidades, como já havíamos denunciado e conforme apontou relatório preliminar do Tribunal de Contas da União.
A atuação do nosso mandato na área ambiental vai além da capital e reforça, com ações concretas e empenho de recursos, o apelo pela preservação da caatinga — único bioma exclusivamente brasileiro — e para conter o avançado processo de desertificação, especialmente no nosso semiárido.
Não se deixe enganar: a chuva é muito bem-vinda para o campo e as cidades, com benefícios conhecidos na agricultura, no abastecimento de água, na regulação do clima, na geração de energia e em outras áreas.
Culpar a água é ignorar a ação do homem — este, sim, o grande responsável pelas tragédias climáticas do mundo contemporâneo.



