Envelhecer nos territórios: a importância da reconstrução das políticas públicas
- Fernando Mineiro

- 6 de mai.
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A reconstrução das políticas públicas no Brasil passa, antes de tudo, por recuperar a confiança das pessoas no próprio Estado. Nos últimos anos, especialmente a partir do golpe contra a presidenta Dilma Rousseff e durante o governo Bolsonaro, houve um abalo profundo no ânimo coletivo e na crença de que a ação pública pode, de fato, transformar realidades.
Esse descrédito torna o processo de reconstrução mais difícil, mas ainda mais necessário. É preciso reafirmar o valor da coletividade e da presença do poder público na vida de quem mais precisa.
Nesse cenário, o envelhecimento acelerado da população, por exemplo, já deixou de ser uma questão setorial e se apresenta como um dos maiores desafios nacionais.
O Brasil caminha rapidamente para se tornar um país majoritariamente envelhecido, sem ter estruturado políticas suficientes para isso. Dados do IBGE mostram que, em 2022, mais de 22 milhões de brasileiros tinham 65 anos ou mais, representando 10,9% da população. Esse contingente cresceu 57,4% em apenas 12 anos, evidenciando um envelhecimento rápido e estrutural da sociedade. Ao mesmo tempo, a proporção de jovens caiu, indicando uma mudança profunda na pirâmide etária brasileira.
Grande parte da população idosa ainda permanece invisibilizada, à margem das ações governamentais. E, não por acaso, o peso do cuidado recai majoritariamente sobre as mulheres, revelando desigualdades persistentes.
Programas como Envelhecer nos Territórios e Viva Mais Cidadania, lançados pelo governo Lula nesta terça-feira (6), no Rio Grande do Norte, apontam um caminho possível porque demonstram a viabilidade da reconstrução de políticas públicas com foco na ponta, onde as pessoas vivem e enfrentam suas dificuldades. Falei sobre essa questão durante o evento e coloquei nosso mandato à disposição para apoiar a execução desses e de outros programas e ações na área.
Criados no âmbito do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, esses dois programas promovem cidadania, inclusão e acesso a direitos, contribuindo com a ideia de envelhecimento digno. Mais do que ações pontuais, representam a oportunidade de reconstruir o pacto social e garantir que envelhecer no Brasil seja sinônimo de viver com qualidade.



