Fim da escala 6 x 1 e redução da jornada de trabalho: vitória de Lula e do povo trabalhador brasileiro
- Fernando Mineiro

- 28 de mai.
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A aprovação do projeto que põe fim à escala 6 x 1 e reduz para 40 horas a jornada de trabalho no Brasil representa a maior vitória recente da classe trabalhadora brasileira.
Depois de 38 anos, conseguimos aprovar uma das principais mudanças estruturais nas relações trabalhistas do país, com impacto direto sobre quase 15 milhões de trabalhadores que cumprem jornada de 44 horas em escala 6 x 1 e outros 34 milhões que trabalham em jornada de 44 horas na escala 5 x 2.
Garantir dois dias de descanso semanal sem redução salarial significa reconhecer que trabalhadores e trabalhadoras não nasceram apenas para sobreviver entre um expediente e outro. A medida devolve tempo para a família, para o lazer, para os estudos, para o descanso e até para algo que o mercado insiste em ignorar: o direito de viver.
Essa conquista histórica tem digitais muito claras. Ex-metalúrgico e primeiro presidente da República com origem no chão de fábrica, o presidente Lula sabe como poucos o tamanho dessa demanda social e agiu politicamente para destravar o debate. Ao enviar o projeto em regime de urgência, Lula obrigou o Congresso Nacional a enfrentar o tema e votar a matéria em até 120 dias. Sem essa decisão política, o projeto provavelmente continuaria mofando em gavetas e corredores de Brasília, enquanto milhões de brasileiros seguiriam adoecendo em jornadas exaustivas.
Também ficou evidente, durante toda a tramitação, a dificuldade do bolsonarismo e de setores do Centrão em encontrar um discurso minimamente coerente diante da pressão popular.
Tentaram boicotar o projeto, apresentaram obstáculos, defenderam adiamentos e até emendas absurdas para esvaziar a proposta. No fim, comportaram-se como birutas de aeroporto, girando conforme o vento da opinião pública, sem saber exatamente para onde ir.
A verdade é que a sociedade brasileira mudou. O povo cansou de ouvir que descanso é privilégio e que qualidade de vida atrapalha a economia. Países desenvolvidos já avançam há anos na redução da jornada porque compreenderam algo simples: trabalhadores mais valorizados vivem melhor, produzem mais e adoecem menos.
Acompanho esse debate há vários anos, no Rio Grande do Norte e em Brasília. Indicado pelo PT, participei como membro suplente da Comissão Especial que analisou o projeto na Câmara e concentrei todos os esforços, nos últimos meses, no diálogo com diversos setores e na ampliação das articulações junto aos movimentos populares. Diferentemente dos oportunistas de plantão, que estão atrás apenas de likes e holofotes, nosso mandato sempre esteve do mesmo lado: a serviço das pautas de interesse da classe trabalhadora e da maioria do povo brasileiro.
A aprovação na Câmara é um marco, mas a batalha continua. O projeto agora seguirá para o Senado, onde novamente haverá forte pressão dos setores mais conservadores do Congresso e de parte do empresariado, que ainda enxerga direitos trabalhistas como ameaça, e não como conquista social.
Será preciso manter a mobilização popular, a vigilância e a pressão sobre os senadores até a votação final. Quando esse momento chegar, será Lula quem colocará a assinatura definitiva em uma mudança histórica para o mundo do trabalho brasileiro.



