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Governo Lula endurece regras de publicidade para bets: aposta não é investimento

  • Foto do escritor: Fernando Mineiro
    Fernando Mineiro
  • 12 de jul.
  • 2 min de leitura

Quero voltar a um tema recorrente por aqui: o mal que as Bets estão fazendo à saúde mental e financeira do nosso povo. As novas regras anunciadas pelo governo do presidente Lula para a publicidade das casas de apostas representam um passo importante na tentativa de conter uma epidemia silenciosa que já afeta milhões de brasileiros.

 

A partir deste mês, propagandas de bets passam a exibir alertas obrigatórios, como "Apostar faz você perder dinheiro" e "Aposta não é investimento", além de sofrer restrições mais rigorosas quanto ao conteúdo, proibindo a associação das apostas ao enriquecimento fácil e ao sucesso financeiro. A medida reconhece uma realidade que já não pode mais ser ignorada: as apostas online deixaram de ser entretenimento para se transformar em um grave problema de saúde pública e de endividamento das famílias.

 

Mas como tenho insistido por aqui, o Executivo não conseguirá enfrentar sozinho esse mercado bilionário. O Congresso Nacional tem avançado muito lentamente em medidas mais duras e, em muitos momentos, demonstra pouca disposição para enfrentar o setor. Parte dos parlamentares mantém proximidade com as empresas de apostas ou com interesses econômicos ligados a elas, o que ajuda a explicar a resistência em aprovar restrições mais severas à publicidade e ao patrocínio das bets, apesar de projetos em discussão sobre o tema.

 

Enquanto isso, cresce um movimento internacional de reação às apostas esportivas. Artistas, influenciadores e atletas passaram a denunciar os danos causados pelo vício em jogos. O lateral Danilo, da Seleção Brasileira, tornou-se um dos principais rostos dessa campanha no país. Na Europa, o atacante francês Kylian Mbappé também criticou publicamente a normalização das apostas no futebol e o impacto desse mercado sobre os jovens. O fato de personalidades com enorme alcance romperem o silêncio demonstra que o problema ultrapassou o campo econômico e passou a atingir valores sociais e esportivos.

 

O aspecto mais perverso desse modelo está justamente na sua lógica de funcionamento. Quanto mais dinheiro o apostador perde, maior tende a ser o faturamento das plataformas. E, em muitos casos, maiores também são os ganhos de influenciadores contratados para convencer novos usuários a apostar ou para mantê-los jogando.

 

Essa semana, a premiadíssima atriz Fernanda Torres disse, em entrevista, que recusou uma proposta milionário de uma casa de apostas porque, entre outros motivos, a derrota dos apostadores faria ela ganhar ainda mais dinheiro.

 

O prejuízo de milhares de famílias transforma-se em lucro para um pequeno grupo de empresas e celebridades. Não é raro ver vídeos exibindo supostos ganhos fáceis, ostentação e uma falsa sensação de sucesso, quando a realidade mostra pessoas endividadas, adoecidas psicologicamente e, em casos extremos, com famílias desestruturadas.

 

Não se trata apenas um jogo, é crueldade mesmo.

 

Assim como ocorreu no passado com a publicidade do cigarro, a sociedade começa a perceber que não basta regulamentar: é preciso reduzir drasticamente o poder de sedução dessas campanhas. As bets vendem uma ilusão estatisticamente desfavorável ao consumidor. Não há investimento, nem renda extra, nem caminho rápido para prosperar. Há um modelo de negócios que depende justamente da perda do apostador. Quanto antes o Brasil compreender isso, menores serão os prejuízos sociais, financeiros e emocionais provocados por uma indústria que lucra com a esperança, e muitas vezes com o desespero, de quem acredita que a próxima aposta mudará sua vida.

Deputado Federal Fernando Mineiro

Sobre mim

Fernando Mineiro foi eleito deputado federal pelo Rio Grande do Norte (RN) em 2022, com 83.481 votos. Em sua trajetória política, cumpriu quatro mandatos como vereador na Câmara Municipal de Natal e outros quatro como deputado estadual na Assembleia Legislativa do RN.

 

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