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O Plano Nacional de Educação e os desafios de tirá-lo do papel

  • Foto do escritor: Fernando Mineiro
    Fernando Mineiro
  • 29 de mar.
  • 6 min de leitura
Plano Nacional de Educação foi aprovado pelo Congresso Nacional / foto: Divulgação/MEC
Plano Nacional de Educação foi aprovado pelo Congresso Nacional / foto: Divulgação/MEC


A principal notícia da semana foi, sem dúvida, a aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE) pelo Senado Federal — uma vitória histórica da sociedade brasileira. O processo foi conduzido com equilíbrio e sensibilidade pelo ministro Camilo Santana, sob a liderança do presidente Lula, que colocou o plano entre as prioridades do governo.

 

O projeto enviado ao Congresso é um instrumento estratégico para planejar a educação brasileira pelos próximos dez anos e fruto de um amplo diálogo com a sociedade e com os diversos setores envolvidos na construção de uma educação pública de mais qualidade.

 

A partir de agora, o desafio passa a ser a elaboração dos planos estaduais e municipais com foco no diálogo entre as gestões dos governos e prefeituras e a sociedade, seguindo as diretrizes estabelecidas pelo PNE. Esse trabalho vai complementar as normas e linhas de ação definidas no plano nacional, reconhecendo as especificidades em nível local e aproximando os objetivos e metas das realidades regionais.

 

Entre os três Planos Nacionais de Educação aprovados desde 2001, este é o primeiro que trata com a devida atenção a questão ambiental — proposição do nosso mandato para uma urgência do nosso tempo. Inserir o tema das mudanças climáticas no centro do debate educacional não é mais uma escolha, é uma necessidade.

 

Outro ponto que considero de extrema relevância nesse PNE é a criação do Programa Nacional de Infraestrutura Escolar, vinculado ao MEC, que terá a finalidade de apoiar a expansão, adequação e modernização da infraestrutura física e tecnológica das instituições públicas de ensino. Teremos um volume considerável de recursos para investimentos nesse setor, para além dos limites e metais fiscais, o que vai demandar gestões responsáveis de estados e municípios na apresentação de projetos voltados para a construção, reforma ou manutenção dos equipamentos públicos.

 

Sobre o processo de elaboração do Plano Nacional de Educação, vale destacar a importância dos conselhos e das entidades de base nessa fase. O PNE nasce justamente da retomada dos canais de participação social, como a Conferência Nacional de Educação, que teve papel fundamental na construção do plano. Esse é um caminho que precisa ser sempre valorizado.

 

Mesmo com as divergências naturais do Congresso Nacional, o resultado final do texto é motivo de reconhecimento. Como membro da Comissão Especial que tratou do Plano Nacional Educação, posso afirmar que o projeto aprovado ficou ainda melhor do que a proposta original.

 

Isso se deve à maturidade dos relatores — o deputado Moses Rodrigues (União-CE) e a senadora Tereza Leitão (PT-PE) — e ao esforço coletivo dos parlamentares, que contribuíram para um texto com metas claras, estratégias viáveis e condições reais de sair do papel.

 

Foram 34 audiências públicas e mais de mil emendas analisadas com responsabilidade. O resultado é um plano robusto, que agora segue para sanção presidencial.

 

Outro avanço importante é a ampliação dos investimentos em educação. O PNE prevê um aumento progressivo dos atuais 5,5% do PIB para 10% ao longo de dez anos, o que representa um salto significativo para o setor.

 

O plano estabelece 19 objetivos centrais e será revisado a cada dois anos, abrangendo desde a educação infantil até o ensino superior, passando por temas como inclusão, educação integral e formação profissional.

 

Cada objetivo possui de uma a oito metas definidas, a exemplo da garantia de que 95% dos alunos concluam o 9º ano na idade certa e que pelo menos 90% atinjam nível adequado de aprendizagem nos anos iniciais; expansão para 65% o número de escolas em tempo integral, atendendo metade dos alunos da educação básica; erradicação do analfabetismo entre jovens de 15 anos ou mais.

 

Na área de valorização profissional, além da ampliação dos investimentos, outra meta importante é que o plano limita a no máximo 30% da rede o número de professores sem cargo efetivo e determina que a seleção de diretores para as escolas seja feita por mérito, desempenho e consulta à comunidade.

 

Como cidadão, professor, parlamentar e integrante da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, tenho orgulho de fazer parte desse momento. O PNE representa um avanço construído com diálogo, responsabilidade e visão de futuro.

 

Planejar é essencial. Mas agora vem a etapa mais importante: garantir que esse plano saia do papel. E volto a repetir: os estados e municípios têm um grande desafio pela frente na elaboração de seus respectivos planos, ferramenta que vai aproximar os objetivos e metas das realidades locais.

 

E caberá também à sociedade acompanhar, cobrar e participar. Afinal, como nos ensinou Paulo Freire, a educação transformadora só cumpre seu papel quando liberta, conscientiza e emancipa o cidadão.

 

Confira os 19 temas e objetivos principais do Plano Nacional de Educação:

 

1. Acesso à Educação Infantil

 

+ Ampliar a oferta de matrículas em creche e universalizar a pré-escola.

 

2. Qualidade da Educação Infantil

 

+ Garantir a qualidade da oferta de educação infantil

 

3. Alfabetização

 

+ Assegurar a alfabetização e nível adequado de aprendizagem em matemática, ao final do segundo ano do ensino fundamental, a todas as crianças, em todas as modalidades educacionais, com inclusão e redução de desigualdades, visando à sua superação.

 

4. Acesso, Trajetória e Conclusão no Ensino Fundamental e no Ensino Médio

 

+ Assegurar que crianças, adolescentes e jovens em idade escolar obrigatória concluam o ensino fundamental e o ensino médio na idade regular, em todas as modalidades

educacionais, com inclusão e redução de desigualdades, visando à sua superação

 

5. Aprendizagem no Ensino Fundamental e no Ensino Médio

 

+ Garantir a aprendizagem dos estudantes no ensino fundamental e no ensino médio, em todas as modalidades educacionais, com inclusão e redução de desigualdades, visando à sua superação.

 

6. Educação Integral em Tempo Integral

 

+ Ampliar a oferta de educação integral em tempo integral para a rede pública, assegurando sua qualidade e a intencionalidade pedagógica das atividades.

 

7. Conectividade, educação digital e integração das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs) à educação

 

+ Promover a educação digital com a garantia de conectividade de alta velocidade para fins pedagógicos, inclusive com redes internas wi-fi, e dos conteúdos das três dimensões estabelecidas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) — pensamento computacional, mundo digital e cultura digital —, para aprendizagem das suas competências e habilidades de forma segura, responsável, ética, crítica e criativa, e a integração das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs) à educação, para melhoria da aprendizagem, equidade e inclusão.

 

8. Sustentabilidade socioambiental na Educação

 

+ Promover a educação ambiental e o enfrentamento das mudanças do clima em todos os estabelecimentos de ensino.

 

9. Educação Escolar Indígena, Educação do Campo e Educação Escolar Quilombola

 

+ Garantir o acesso, a oferta e a permanência em todos os níveis, as etapas e as modalidades na educação escolar indígena, na educação do campo e na educação escolar quilombola, observados os padrões nacionais de qualidade, com redução das desigualdades regionais

 

10. Educação Especial Inclusiva e Educação Bilíngue de Surdos

 

+ Garantir, ao longo da vida, o acesso e a permanência na Educação Especial, assegurando a oferta de Atendimento Educacional Especializado de qualidade e a aprendizagem dos estudantes que são o público da educação especial e o público da educação bilíngue de surdos, em todos os níveis, as etapas e as modalidades

 

11. Educação de Jovens, Adultos e Idosos

 

+ Assegurar a alfabetização e ampliar o acesso, a permanência e a conclusão da educação básica de todos os jovens, adultos e idosos.

 

12. Acesso, permanência e conclusão na Educação Profissional e Tecnológica

 

+ Ampliar o acesso, a permanência e a conclusão na educação profissional e tecnológica, com inclusão e redução de desigualdades, visando à sua superação

 

13. Qualidade da Educação Profissional e Tecnológica

 

+ Garantir a qualidade e a adequação da formação às demandas da sociedade, do mundo do trabalho e das diversidades de populações e de seus territórios na educação profissional e tecnológica.

 

14. Acesso, Permanência e Conclusão na Graduação

 

+ Ampliar o acesso, a permanência e a conclusão na graduação, com qualidade, inclusão e redução de desigualdades, visando a sua superação

 

15. Qualidade da Graduação

 

+ Garantir a qualidade de cursos de graduação e instituições de ensino superior.

 

16. Pós-Graduação stricto sensu

 

+ Ampliar a formação de mestres e doutores, de maneira equitativa e inclusiva, com melhoria contínua da qualidade e foco na prospecção e na solução dos problemas da sociedade, contribuindo para o desenvolvimento científico, tecnológico, cultural, econômico, social e ambiental do País.

 

17. Formação e Valorização dos Profissionais da Educação Básica

 

+ Garantir formação, valorização e condições de trabalho adequadas aos profissionais da educação básica, de modo a elevar a qualidade da educação.

 

18. Participação e Controle Social e Gestão Democrática na educação pública

 

+ Assegurar a participação e o controle social no planejamento, na gestão democrática na educação pública, no monitoramento e na avaliação das políticas educacionais, tendo em vista a melhoria da qualidade do ensino e aprendizagem.

 

19. Financiamento e infraestrutura da Educação

 

+ Assegurar a qualidade e a equidade nas condições de oferta e permanência da educação básica e da educação superior.

Deputado Federal Fernando Mineiro

Sobre mim

Fernando Mineiro foi eleito deputado federal pelo Rio Grande do Norte (RN) em 2022, com 83.481 votos. Em sua trajetória política, cumpriu quatro mandatos como vereador na Câmara Municipal de Natal e outros quatro como deputado estadual na Assembleia Legislativa do RN.

 

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