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BolsoMáster e os passadores de pano do bolsonarismo potiguar

  • Foto do escritor: Fernando Mineiro
    Fernando Mineiro
  • 17 de mai.
  • 2 min de leitura

Enquanto o escândalo do BolsoMáster cresce a cada nova revelação, parte do bolsonarismo do Rio Grande do Norte resolveu assumir um papel curioso: o de assessoria de imprensa informal de Flávio Bolsonaro. Em vez de indignação, cobrança ou prudência diante de suspeitas gravíssimas, o que se viu foi uma força-tarefa para passar pano, daqueles bem felpudos e importados.

 

Um exemplo é o coordenador nacional da campanha de Flávio Bolsonaro, o senador potiguar Rogério Marinho, que parece ter encontrado uma maneira inédita de combater corrupção: mudar de assunto. Depois da divulgação do áudio em que Flávio pede R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro, Marinho correu para dizer que tudo não passava de “patrocínio privado para um filme privado”. Como se o problema fosse apenas uma sessão de cinema entre amigos.

 

Ao mesmo tempo, o senador tenta empurrar a narrativa de que o escândalo “na verdade” nasceu no PT. É aquela velha tática: quando a bomba explode no colo do bolsonarismo, a solução é procurar um petista em algum CEP distante para dividir a fumaça.

 

O mais curioso é que o próprio Marinho vinha dizendo que o caso BolsoMáster era uma “granada sem pino”. Era. Bastou aparecer o sobrenome Bolsonaro no centro da história para a granada virar rojão de festa junina.

 

Outros bolsonaristas do RN seguiram roteiro parecido. Enquanto o sargento Gonçalves divulgou vídeos de apoio ao seu mais novo corrupto preferido, o candidato ao Senado na chapa do bolsonarismo, Coronel Hélio, tenta conquistar os votos da extrema direita no estado defendendo uma CPI do Banco Máster. Mal sabe ele o que ainda pode sair debaixo desse tapete sobre a família mais corrupta do Brasil.  

 

Quem também faz coro agora pela CPI é o general Girão, mas já sabemos que na hora H não aguentam a verdade dos fatos, vide o boicote e as mentiras que contaram durante a CPMI do INSS.

 

Aliás, eu e outros parlamentares do PT protocolamos mais um pedido de CPMI para investigar suspeitas de irregularidades no financiamento do filme "Dark Horse" e estamos desafiando Flávio Bolsonaro e os demais bolsonaristas do Congresso a assinarem o requerimento. Será que o bolsonarismo potiguar vai assinar ou é tudo jogo de cena?

 

Os demais, sob um silêncio estratégico, preferem continuar na confortável posição de oposição seletiva: corrupção só escandaliza quando não envolve os seus.

 

E aí mora a maior ironia. O grupo político que passou anos vendendo a imagem de “combatente da corrupção” agora age exatamente como aquilo que dizia combater. Relativiza denúncias, protege aliados, ataca investigações e transforma suspeitas gravíssimas em perseguição política. Trocaram o discurso moralista pelo corporativismo mais rasteiro.

 

No fundo, o BolsoMáster expõe uma verdade inconveniente para o bolsonarismo potiguar: a indignação deles nunca foi contra corrupção. Era apenas para preservar seus corruptos de estimação.

Deputado Federal Fernando Mineiro

Sobre mim

Fernando Mineiro foi eleito deputado federal pelo Rio Grande do Norte (RN) em 2022, com 83.481 votos. Em sua trajetória política, cumpriu quatro mandatos como vereador na Câmara Municipal de Natal e outros quatro como deputado estadual na Assembleia Legislativa do RN.

 

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