Bolsonaro privatizou, o preço disparou: é hora de retomar o controle
- Fernando Mineiro

- há 1 hora
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A questão dos combustíveis é um tema central para o Brasil em 2026 pelo papel estratégico da nossa cadeia petrolífera nacional. Ao vender, a preço de banana, três refinarias e a maior distribuidora do país, Jair Bolsonaro comprometeu o controle dos preços da gasolina e do diesel que chegam ao consumidor.
Uma das três refinarias privatizadas foi a Clara Camarão, no Rio Grande do Norte. A consequência desse ato de lesa-pátria é que os potiguares pagam hoje a segunda gasolina mais cara entre os estados do Nordeste.
A guerra dos EUA e Israel contra o Irã, no Oriente Médio, poderia ter um impacto menor no bolso do cidadão brasileiro se Bolsonaro não tivesse entregado à iniciativa privada a BR Distribuidora, por exemplo. Sob o comando da Petrobras, a empresa ajudava a segurar o preço dos combustíveis diante da volatilidade do mercado internacional.
O verdadeiro nó nessa questão do aumento do diesel está justamente na ausência de controle público sobre a etapa de distribuição de combustíveis. Sem uma distribuidora estratégica sob gestão estatal, o governo fica limitado em sua capacidade de garantir que os preços definidos na origem sejam efetivamente refletidos de maneira justa ao consumidor.
Esse cenário também abre brechas para o crime que estamos assistindo Brasil afora: postos e distribuidoras aumentando o preço da gasolina e do diesel sem justificativa. Um absurdo que precisa ser investigado e punido com rigor pelos órgãos de fiscalização. No Rio Grande do Norte, após a ação dos Procons, alguns postos já reduziram o preço, o que mostra a forma abusiva dos aumentos sem motivo.
Medidas recentes já anunciada pelos governo Lula, como zerar as alíquotas dos impostos federais, PIS/Cofins, sobre o diesel e a implementação de um subsídio de R$ 0,32 por litro destinado a produtores e importadores, cumprem um papel importante ao reduzir, ainda que momentaneamente, os impactos da instabilidade internacional sobre os preços. Ainda assim, é preciso reconhecer: são soluções emergenciais, incapazes de enfrentar a raiz do problema.
Nosso mandato está ao lado da bancada do PT no Congresso Nacional buscando sensibilizar os colegas deputados a assinarem a instalação da Frente Parlamentar pela Reestatização da BR Distribuidora. Não se trata de um movimento saudosista, mas de uma leitura concreta dos desafios atuais do setor de combustíveis no país. É preciso debater o problema e propor soluções.
Garantir autonomia energética ao longo de toda a cadeia produtiva não é um capricho ideológico, mas uma condição essencial para a soberania nacional. Diante de um cenário internacional cada vez mais instável, cabe ao Brasil reconhecer suas fragilidades e agir com responsabilidade para superá-las — e temos plenas condições de fazê-lo.



