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Caatinga: um patrimônio brasileiro que exige prioridade nacional

  • Foto do escritor: Fernando Mineiro
    Fernando Mineiro
  • há 3 dias
  • 3 min de leitura
Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro / Foto: Gabriel Carvalho / Setur-BA
Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro / Foto: Gabriel Carvalho / Setur-BA

Durante muito tempo, a Caatinga foi tratada como sinônimo de escassez. Eu discordo profundamente dessa visão. Como deputado federal pelo Rio Grande do Norte, e sendo a defesa do meio ambiente um dos eixos basilares do nosso mandato, afirmo com convicção: estamos diante de um dos maiores patrimônios ambientais do Brasil — e, paradoxalmente, de um dos mais negligenciados. A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro, o que deveria ser motivo de orgulho nacional e prioridade absoluta nas políticas públicas.


Falo de um território que cobre mais de 800 mil quilômetros quadrados e abriga uma biodiversidade extraordinária. Ao contrário do que muitos ainda pensam, não se trata de uma paisagem pobre ou homogênea. A Caatinga é diversa, dinâmica e altamente adaptada. Sua flora, marcada por espécies caducifólias, suculentas e espinhosas, revela uma inteligência ecológica moldada por séculos de convivência com o semiárido. Sua fauna, rica em endemismos, reforça o caráter único desse bioma que só existe no Brasil.


Mas não é apenas do ponto de vista ambiental que a Caatinga se destaca. Ela guarda potencialidades econômicas concretas, especialmente quando pensamos em bioeconomia, manejo sustentável e valorização dos saberes tradicionais. É possível, sim, gerar emprego, renda e desenvolvimento respeitando os limites do bioma. Aliás, é exatamente esse o caminho que defendo: um modelo de desenvolvimento que não destrói, mas que convive, aprende e prospera com a Caatinga.


Há ainda um aspecto pouco reconhecido no debate público: a Caatinga tem papel relevante no enfrentamento da crise climática. Trata-se de um dos biomas que mais contribuem para o sequestro de carbono no Brasil, graças à sua capacidade de regeneração e às adaptações de sua vegetação. Ignorar isso é desperdiçar uma oportunidade estratégica no contexto das mudanças climáticas globais.


Entretanto, essa riqueza convive com um cenário alarmante. A Caatinga é hoje a região onde mais avança a desertificação no país. Mais de 60% das áreas suscetíveis a esse processo estão ali. O desmatamento, o uso inadequado do solo e o agravamento das mudanças climáticas têm intensificado secas e degradado ecossistemas. Estudos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais identificaram, inclusive, uma área com características de clima árido no município de Chorrochó (BA), um fato inédito e extremamente preocupante.


É diante dessa realidade que tenho atuado no Congresso Nacional. Defendo e trabalho pela aprovação do Projeto de Lei nº 1.990 de 2024, que institui a Política Nacional para Recuperação da Vegetação da Caatinga. Esse projeto é fundamental porque articula conservação ambiental com desenvolvimento sustentável, geração de emprego e inclusão social. Ele reconhece que recuperar a vegetação nativa é também combater a desertificação, proteger nossos recursos hídricos e fortalecer a segurança alimentar.


Além disso, tenho apresentado e apoiado substitutivos que aprimoram essa proposta, garantindo maior efetividade e alcance social. Um dos pontos centrais da minha atuação é a criação do Fundo Nacional da Caatinga. Sem recursos financeiros estáveis, qualquer política pública corre o risco de não sair do papel. Por isso, considero essencial assegurar mecanismos de financiamento que permitam implementar ações de recuperação ambiental, apoiar comunidades locais e incentivar práticas sustentáveis.


Na próxima terça-feira, 28 de abril, Dia Nacional da Caatinga, faremos, na Câmara dos Deputados, um amplo e profundo debate na audiência pública "Dia Nacional da Caatinga: conservação, sustentabilidade e combate à desertificação". Fui um dos parlamentares que ajudou a articular esse espaço de escuta e reflexão numa data tão simbólica para o meio ambiente.


Com a participação de representantes do Ministério do Meio Ambiente, Articulação do Semiárido (ASA), Consórcio Nordeste, Embrapa, Instituto Escolhas e Instituto Nacional do Semiárido, vamos discutir o presente e o futuro da Caatinga; e sobretudo como frear o já avançado processo de desertificação nessa bioregião tão brasileira.


Durante o evento, nosso mandato também vai lançar em formato digital o Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca - PAB Brasil - documento elaborado por iniciativa do Ministério do Meio Ambiente com o apoio de várias organizações ligadas à pauta ambiental, da esfera pública, privada e do terceiro setor, que vai nortear o enfrentamento à degradação de terras e os efeitos das mudanças climáticas no Semiárido, em especial na Caatinga.


Essa será mais uma contribuição do nosso mandato para auxiliar e facilitar o acesso à informação da sociedade às políticas públicas criadas pelo governo Lula nessa área.


Acredito firmemente que a Caatinga não precisa de discursos de lamentação, mas de compromisso político. Precisamos superar a lógica histórica de abandono e reconhecer que esse bioma é estratégico para o Brasil, do ponto de vista ambiental, econômico e social. A Caatinga é resistência, é diversidade, é futuro.


E é por isso que sigo trabalhando: para que ela deixe de ser invisível e passe a ocupar o lugar que merece no centro das decisões nacionais.

Deputado Federal Fernando Mineiro

Sobre mim

Fernando Mineiro foi eleito deputado federal pelo Rio Grande do Norte (RN) em 2022, com 83.481 votos. Em sua trajetória política, cumpriu quatro mandatos como vereador na Câmara Municipal de Natal e outros quatro como deputado estadual na Assembleia Legislativa do RN.

 

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