O começo do fim da escala 6 x 1
- Fernando Mineiro

- 23 de abr.
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Vencemos a primeira batalha no Congresso Nacional. Nesta quarta-feira (22), a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara dos Deputados aprovou duas Propostas de Emenda à Constituição que tramitam na Casa com o mesmo objetivo: acabar com a escala 6 x 1 no Brasil.
Essa é uma vitória expressiva do povo brasileiro. Mais do que simbólica, ela marca o início de uma transformação necessária ao estabelecer a escala 5 x 2 como referência máxima para a jornada de trabalho no país e sinalizar o fim de um modelo exaustivo que há décadas penaliza milhões de trabalhadores.
A aprovação das duas PECs na CCJ é resultado direto da ação do presidente Lula, que decidiu pressionar o Parlamento ao enviar, na semana passada, uma mensagem em regime de urgência ao Congresso Nacional, estabelecendo prazos claros para a tramitação da proposta.
O texto prevê a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, garantindo dois dias de descanso remunerado sem redução salarial. Ao chegar à Câmara em regime de urgência, a proposta impõe ritmo ao debate e dificulta manobras protelatórias — ainda que setores da oposição insistam em tentar barrá-la.
É preciso dizer com todas as letras: enfrentar interesses conservadores nunca foi tarefa simples no Brasil. Lula é o primeiro presidente da República no período pós-redemocratização que decidiu enfrentar as forças conservadoras do país, com ampla representação no Congresso, para defender o direito da população ao tempo para o lazer, para a convivência familiar e, principalmente, para o autocuidado e a saúde mental.
O fim da escala 6 x 1 pode significar uma mudança estrutural nas relações de trabalho, com impacto direto na qualidade de vida de mais de 37 milhões de brasileiros, especialmente mulheres e jovens, historicamente mais afetados por jornadas desgastantes. Não por acaso, pesquisa recente divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo mostrou que 70% da população é favorável à redução da jornada, refletindo um cansaço coletivo com modelos ultrapassados de exploração do trabalho.
Mas é preciso manter os pés no chão: vencemos apenas a primeira etapa. A proposta ainda passará por Comissão Especial antes de seguir ao plenário. É nesse momento que o debate se intensifica e onde, muitas vezes, avanços são sabotados.
A história do Brasil mostra que nenhum direito social foi conquistado sem pressão popular. Por isso, mais do que comemorar, é hora de mobilização. Cabe à sociedade cobrar posicionamento claro de deputados e senadores, em cada estado.
E há um ponto que não pode ser ignorado: coerência. Não basta apoiar pontualmente o fim da escala 6 x 1. É preciso compromisso real com a agenda da classe trabalhadora.
Com um cenário eleitoral no horizonte, o momento também é de observação crítica: quem sustenta esse debate até o fim, e quem recua quando a pressão aumenta.
No fim das contas, essa discussão vai além da jornada de trabalho. Trata-se de definir que tipo de país queremos construir, e para quem ele deve funcionar.



