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Por que as ações da família Bolsonaro são uma ameaça à soberania do Brasil

  • Foto do escritor: Fernando Mineiro
    Fernando Mineiro
  • há 4 horas
  • 3 min de leitura

 

A soberania nacional não se resume à defesa das fronteiras. Soberania envolve a capacidade de um país decidir seu próprio destino, proteger suas instituições e conduzir sua política externa de acordo com seus interesses. Sob essa perspectiva, o Brasil vem assistindo, nos últimos anos, à família Bolsonaro trabalhar contra os interesses nacionais.

 

São vários os exemplos. E tão importante quanto identificá-los é entender que o conjunto de ações realizadas com esse objetivo antinacional não são episódios isolados, mas parte de um projeto político destinado a enfraquecer a autonomia do país, tensionar as instituições democráticas e aumentar nossa dependência em relação a interesses estrangeiros.

 

Um dos exemplos mais aviltantes — e ainda hoje difíceis de acreditar — foi a articulação do ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro junto a setores políticos norte-americanos, que resultou na taxação de 50% sobre os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos.

 

Uma medida que afetou a economia e a geração de empregos e cujos efeitos poderiam ter sido ainda mais graves não fosse a competência e a agilidade do governo Lula para revertê-la.

 

O gesto de continência à bandeira dos Estados Unidos feito por Jair Bolsonaro durante seu período como presidente é outro exemplo de sabujice. Trata-se de um aceno que nada tem a ver com demonstração de cordialidade diplomática. No caso de Bolsonaro, é um símbolo de subordinação política e ideológica incompatível com a tradição de independência da política externa brasileira. E símbolos importam, especialmente quando transmitidos por chefes de Estado.

 

Também gera preocupação a defesa da classificação de facções criminosas brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, como organizações terroristas. Já comentei aqui que, embora o combate ao crime organizado seja uma necessidade indiscutível — e o governo Lula venha adotando medidas efetivas nesse sentido —, essa classificação pode abrir espaço para uma ingerência direta no Brasil por parte de agências, organismos e até governos estrangeiros. A legislação norte-americana autoriza que os Estados Unidos atuem em outros países para combater organizações classificadas como terroristas, o que, por si só, já deveria acender um alerta.

 

Essa decisão tem potencial de provocar uma série de impactos econômicos para o Brasil, com reflexos sobre empresas, empregos e a imagem do Brasil no exterior. Entre os efeitos para a economia estão o aumento dos riscos para bancos, fintechs e seus clientes em operações internacionais, a possibilidade de rebaixamento da nota de crédito do país por agências de rating, a redução da atração de investimentos estrangeiros e o encarecimento dos custos de seguro e logística para empresas brasileiras. Além disso, o turismo pode ser prejudicado por alertas consulares mais rígidos e pela diminuição de eventos corporativos.

 

Esses episódios se somam a outros acontecimentos que marcaram os últimos anos, como os ataques recorrentes ao sistema eleitoral sem a apresentação de provas consistentes de fraude; os questionamentos à legitimidade de instituições como o Supremo Tribunal Federal; o estímulo à desconfiança em relação aos mecanismos democráticos; e a busca constante por apoio político internacional para disputas internas brasileiras.

 

O denominador comum dessas iniciativas é a tentativa de enfraquecer os mecanismos de mediação democrática e concentrar a política em torno de lideranças personalistas.

 

Democracia e soberania caminham juntas. Um país soberano é aquele que possui instituições fortes, independentes e respeitadas, capazes de resolver seus conflitos sem tutela externa.

 

Quando agentes políticos recorrem a governos estrangeiros para pressionar autoridades nacionais, relativizam símbolos de independência nacional ou colocam em dúvida, sem provas robustas, os pilares do regime democrático, o resultado pode ser o enfraquecimento simultâneo da soberania e da própria democracia.

 

Por isso, repito: não se trata de fatos desconectados. São ações sucessivas que, vistas em conjunto, revelam uma visão política que coloca em risco a autonomia nacional, fragiliza as instituições republicanas e cria tensões permanentes contra a ordem democrática construída pela Constituição de 1988.

 

Também por isso, temos uma oportunidade histórica em outubro de 2026, quando iremos às urnas mais uma vez escolher nossos representantes. Nesse contexto, a reeleição de Lula e a formação de um Congresso comprometido com os interesses nacionais se apresentam como condições fundamentais para a preservação da soberania e da democracia brasileiras, além de garantir a continuidade dos avanços sociais e econômicos em curso no processo de reconstrução nacional.

Deputado Federal Fernando Mineiro

Sobre mim

Fernando Mineiro foi eleito deputado federal pelo Rio Grande do Norte (RN) em 2022, com 83.481 votos. Em sua trajetória política, cumpriu quatro mandatos como vereador na Câmara Municipal de Natal e outros quatro como deputado estadual na Assembleia Legislativa do RN.

 

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