Por que as ações da família Bolsonaro são uma ameaça à soberania do Brasil
- Fernando Mineiro

- há 4 horas
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A soberania nacional não se resume à defesa das fronteiras. Soberania envolve a capacidade de um país decidir seu próprio destino, proteger suas instituições e conduzir sua política externa de acordo com seus interesses. Sob essa perspectiva, o Brasil vem assistindo, nos últimos anos, à família Bolsonaro trabalhar contra os interesses nacionais.
São vários os exemplos. E tão importante quanto identificá-los é entender que o conjunto de ações realizadas com esse objetivo antinacional não são episódios isolados, mas parte de um projeto político destinado a enfraquecer a autonomia do país, tensionar as instituições democráticas e aumentar nossa dependência em relação a interesses estrangeiros.
Um dos exemplos mais aviltantes — e ainda hoje difíceis de acreditar — foi a articulação do ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro junto a setores políticos norte-americanos, que resultou na taxação de 50% sobre os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos.
Uma medida que afetou a economia e a geração de empregos e cujos efeitos poderiam ter sido ainda mais graves não fosse a competência e a agilidade do governo Lula para revertê-la.
O gesto de continência à bandeira dos Estados Unidos feito por Jair Bolsonaro durante seu período como presidente é outro exemplo de sabujice. Trata-se de um aceno que nada tem a ver com demonstração de cordialidade diplomática. No caso de Bolsonaro, é um símbolo de subordinação política e ideológica incompatível com a tradição de independência da política externa brasileira. E símbolos importam, especialmente quando transmitidos por chefes de Estado.
Também gera preocupação a defesa da classificação de facções criminosas brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, como organizações terroristas. Já comentei aqui que, embora o combate ao crime organizado seja uma necessidade indiscutível — e o governo Lula venha adotando medidas efetivas nesse sentido —, essa classificação pode abrir espaço para uma ingerência direta no Brasil por parte de agências, organismos e até governos estrangeiros. A legislação norte-americana autoriza que os Estados Unidos atuem em outros países para combater organizações classificadas como terroristas, o que, por si só, já deveria acender um alerta.
Essa decisão tem potencial de provocar uma série de impactos econômicos para o Brasil, com reflexos sobre empresas, empregos e a imagem do Brasil no exterior. Entre os efeitos para a economia estão o aumento dos riscos para bancos, fintechs e seus clientes em operações internacionais, a possibilidade de rebaixamento da nota de crédito do país por agências de rating, a redução da atração de investimentos estrangeiros e o encarecimento dos custos de seguro e logística para empresas brasileiras. Além disso, o turismo pode ser prejudicado por alertas consulares mais rígidos e pela diminuição de eventos corporativos.
Esses episódios se somam a outros acontecimentos que marcaram os últimos anos, como os ataques recorrentes ao sistema eleitoral sem a apresentação de provas consistentes de fraude; os questionamentos à legitimidade de instituições como o Supremo Tribunal Federal; o estímulo à desconfiança em relação aos mecanismos democráticos; e a busca constante por apoio político internacional para disputas internas brasileiras.
O denominador comum dessas iniciativas é a tentativa de enfraquecer os mecanismos de mediação democrática e concentrar a política em torno de lideranças personalistas.
Democracia e soberania caminham juntas. Um país soberano é aquele que possui instituições fortes, independentes e respeitadas, capazes de resolver seus conflitos sem tutela externa.
Quando agentes políticos recorrem a governos estrangeiros para pressionar autoridades nacionais, relativizam símbolos de independência nacional ou colocam em dúvida, sem provas robustas, os pilares do regime democrático, o resultado pode ser o enfraquecimento simultâneo da soberania e da própria democracia.
Por isso, repito: não se trata de fatos desconectados. São ações sucessivas que, vistas em conjunto, revelam uma visão política que coloca em risco a autonomia nacional, fragiliza as instituições republicanas e cria tensões permanentes contra a ordem democrática construída pela Constituição de 1988.
Também por isso, temos uma oportunidade histórica em outubro de 2026, quando iremos às urnas mais uma vez escolher nossos representantes. Nesse contexto, a reeleição de Lula e a formação de um Congresso comprometido com os interesses nacionais se apresentam como condições fundamentais para a preservação da soberania e da democracia brasileiras, além de garantir a continuidade dos avanços sociais e econômicos em curso no processo de reconstrução nacional.



