A conta da engorda de Ponta Negra chegou e só aumenta
- Fernando Mineiro

- 7 de jun.
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Um novo estudo divulgado nesta semana pela Fundação Norte-Rio-Grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec) mostrou que o Morro do Careca, principal cartão-postal natural de Natal, já perdeu 51,87% do volume inicial da areia depositada pela engorda da praia de Ponta Negra. O levantamento compara o período entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026.
O relatório também constatou algo que venho alertando desde o início das obras: sem drenagem, não há solução para o problema estrutural da praia, que a própria engorda tornou ainda mais evidente.
As informações sobre o Morro do Careca e os efeitos da ausência de drenagem somam-se aos alertas já feitos pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pelo Ministério Público Federal (MPF), que apontaram uma série de graves irregularidades no projeto original.
O MPF deixou claro que a falta de drenagem pode acelerar o processo de erosão do Morro do Careca, conclusão que dialoga diretamente com os dados apresentados pela Funpec. Já o TCU apontou problemas que vão desde a falta de transparência até indícios de corrupção e irregularidades na condução do projeto.
É de conhecimento público que os problemas da engorda de Ponta Negra têm origem em decisões tomadas durante a gestão do ex-prefeito Álvaro Dias, bolsonarista que ignorou regras e leis ambientais para acelerar o projeto pensando tão somente no calendário eleitoral. Essa responsabilidade, porém, não pode ficar restrita ao passado e precisa ser compartilhada por todos aqueles que apoiaram, defenderam ou se omitiram diante dos alertas técnicos, especialmente pela atual administração municipal.
O prefeito Paulinho Freire herdou o problema, mas agora tem a responsabilidade de apresentar soluções concretas. Enquanto isso não acontece, milhares de natalenses, trabalhadores, comerciantes, pescadores e turistas continuam convivendo com os prejuízos econômicos, sociais e ambientais provocados pelos erros do projeto.
A defesa do meio ambiente não pode ser tratada apenas como uma questão paisagística. Uma gestão ambiental equivocada, como acontece em Natal, afeta diretamente a vida das pessoas. Em Ponta Negra, os impactos vão muito além dos alagamentos registrados em períodos de chuva. Os erros atingem a cadeia alimentar marinha, comprometem atividades econômicas tradicionais, prejudicam o turismo e colocam em risco a qualidade do banho de mar.
Há algumas semanas, integrantes da administração municipal anunciaram que as obras de drenagem finalmente serão executadas na região. A notícia é positiva, mas insuficiente. Até agora, a prefeitura não apresentou à sociedade informações básicas sobre a intervenção. Qual será o projeto? Quanto custará? De onde virão os recursos? Qual é o prazo para conclusão?
A população tem o direito de conhecer as respostas. Afinal, estamos falando da principal praia urbana de Natal e de um problema que já ultrapassou os limites da cidade para ganhar destaque negativo na imprensa nacional. Mais do que promessas, este é o momento de transparência, planejamento e responsabilidade. Ponta Negra não pode continuar sendo vítima da pressa política, da falta de diálogo e dos erros que poderiam ter sido evitados.
Paulinho Freire, beneficiado eleitoralmente com a obra da engorda, deve ser cobrado a apresentar soluções concretas para salvar o principal patrimônio paisagístico de Natal. Se isso não acontecer o cidadão saberá a melhor forma e o momento certo de cobrar.



