A democracia sob ataque: lições de 1964 para o Brasil de hoje
- Fernando Mineiro

- 31 de mar.
- 2 min de leitura

O aniversário de 62 anos do golpe civil-militar de 1964 exige mais do que um simples exercício de memória: é preciso posicionamento.
Diante do avanço da extrema direita no mundo — e, de forma particularmente preocupante, no Brasil — já não há espaço para ingenuidade. Golpes e tentativas de golpe, como a de 8 de janeiro de 2023, não são episódios isolados nem “acidentes históricos”, como creem aqueles que buscam reescrever a história.
Essa trama faz parte de um projeto político deliberado.
É preciso dizer com todas as letras: defender a democracia não é uma opção, mas uma necessidade. E isso passa, inevitavelmente, por denunciar o verdadeiro objetivo de grupos fascistas que operam pela ruptura institucional, alimentando o ódio e flertando abertamente com a eliminação de quem pensa diferente.
Na mesma trilha dos militares que, em 1964, derrubaram um presidente legitimamente eleito, o bolsonarismo reproduz a cartilha autoritária com assustadora fidelidade.
Não por acaso, o líder desse movimento foi julgado, condenado e hoje cumpre pena de 27 anos de prisão por atentar contra o Estado Democrático de Direito e tentar, assim como em 1964, se manter no poder pela força.
Mas seria um erro grave subestimar esse campo político, mesmo diante de derrotas judiciais. A história já mostrou o custo da impunidade: a Lei da Anistia, ao poupar torturadores e assassinos da ditadura, permitiu que a semente autoritária de 1964 continuasse viva — e hoje ela segue à espreita, pronta para avançar diante de qualquer fragilidade institucional.
Por isso, 2026 não é apenas mais uma eleição. É, possivelmente, a mais decisiva de nossas vidas. O que está em jogo é a escolha entre o retorno a um passado de perseguição, censura e violência, ou a consolidação de um futuro com avanços sociais e econômicos, sustentado por uma democracia onde divergências se resolvem pela política — e nunca pela força.
Democracia sempre. Ditadura nunca mais.



