As mil faces do bolsonarismo no Rio Grande do Norte
- Fernando Mineiro

- 10 de abr.
- 2 min de leitura

Tenho insistido, por onde ando, na tese de que as eleições de 2026 serão um divisor de águas para a nossa democracia. Trata-se de um verdadeiro plebiscito entre dois projetos completamente distintos de país.
De um lado, o campo liderado por Lula, marcado por avanços sociais e na infraestrutura, fortalecimento da saúde, da educação e da segurança, além da retomada dos investimentos e do crescimento econômico. Do outro, o bolsonarismo, que nos remete a um período de intolerância, disseminação de ódio, propagação de fake news, ataques a adversários e permanente tensão política.
O bolsonarismo precisa ser entendido para além do nome. É uma concepção de mundo: conservadora, excludente, anti democrática e anti social.
As pesquisas de opinião indicam que, em 2026, não haverá espaço para neutralidade: ou se está com Lula, ou com o bolsonarismo e tudo o que ele representa.
No Rio Grande do Norte, o bolsonarismo tem muitas faces. Os pré-candidatos majoritários locais da ultra direita e da direita - Álvaro Dias e Allyson Bezerra - têm evitado assumir com clareza o lado em que estão, em uma estratégia calculada para confundir o eleitor.
Situação bem diferente da de Cadu Xavier, que se apresenta de forma explícita na defesa do legado de Lula e de Fátima no estado.
O ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias, filiou-se ao partido de Bolsonaro, formou um palanque com lideranças bolsonaristas no estado, como o senador Rogério Marinho, e já declarou apoio a Flávio Bolsonaro. Ainda assim, evita se assumir como bolsonarista. Uma hora diz uma coisa, depois recua: uma tática manjada e conhecida para embaralhar o debate. Álvaro lembra o velho ditado: “tem rabo de porco, focinho de porco, orelha de porco, mas diz que não é porco”. Será?
Já o ex-prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, evidencia que o bolsonarismo ultrapassa figuras individuais e se consolidou como uma visão de mundo. Defende pautas alinhadas a esse campo, mas evita associá-las diretamente à imagem do ex-presidente.
Cercado por lideranças historicamente ligadas ao conservadorismo no Rio Grande do Norte, Allyson representa um projeto que aposta no Estado mínimo, na concentração de renda e em práticas autoritárias. Assim como Álvaro, também adota a estratégia de não assumir claramente sua posição política.
Álvaro e Allyson são, no fim das contas, faces distintas de uma mesma moeda. Apesar das diferenças de estilo, representam um projeto político que já foi testado no país: marcado pelo ataque à democracia, pelo enfraquecimento das instituições, pela desinformação e por políticas que penalizam a maioria da população.
Mas o eleitor tem o direito de saber exatamente quem são, com quem estão e o que pensam aqueles que pretendem representá-lo, seja no governo, na Assembleia Legislativa ou no Congresso Nacional.
Em política, não existe vazio: o silêncio também comunica e, muitas vezes, revela mais do que discursos. Quem esconde suas posições não protege o eleitor, protege a si mesmo. Em 2026, não bastará prometer: será preciso ter coragem de dizer, sem rodeios, de que lado se está. Porque, no fim, quem não se posiciona claramente já fez sua escolha, só não quer admitir.
Nas disputas sobre os rumos do Brasil e do RN é de fundamental importância separar o joio do trigo e tomar posições coerentes com os projetos defendidos nacionalmente.



