Bolsonarista pede vista e adia votação do fim da escala 6 x 1 e da redução da jornada
- Fernando Mineiro

- há 5 dias
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O deputado bolsonarista Maurício Marcon (PL-RS) pediu vista durante a leitura do relatório que prevê o fim da escala 6 x 1 no Brasil, prejudicando diretamente milhões de homens e mulheres submetidos a um regime de trabalho que garante apenas um dia de descanso semanal.
Hoje, no Brasil, quase 15 milhões de pessoas trabalham em jornada de 44 horas e escala 6 x 1, enquanto 34 milhões de brasileiros cumprem 44 horas e escala 5 x 2.
A iniciativa escancara a essência do bolsonarismo: um grupo político que atua sistematicamente contra direitos da classe trabalhadora e em defesa de interesses privados alinhados aos setores mais ultraconservadores do empresariado brasileiro.
Com o pedido de vista, os trabalhos da Comissão Especial que analisa o fim da escala 6 x 1 devem ser retomados apenas na próxima quarta-feira (27), quando estão previstas a discussão e a votação do relatório. A apreciação do projeto em plenário, por enquanto, segue marcada para quinta-feira (28).
A manobra do parlamentar bolsonarista ocorre poucas horas após o acordo costurado pelo presidente Lula com a Câmara dos Deputados, que aproxima o Brasil do fim da escala 6 x 1 e da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais.
Pelo acordo, trabalhadoras e trabalhadores passarão a ter garantidos dois dias de descanso semanal, sendo um deles, preferencialmente, aos domingos, sem qualquer redução salarial.
A mudança na jornada será gradual. 60 dias depois da aprovação da PEC, a escala passará a ser de 5 X 2 (sem redução salarial) e a jornada cairá para 42 horas semanais. Após 12 meses, a jornada será reduzida para 40h.
O episódio desta segunda-feira deixa evidente que, apesar do acordo político firmado, a aprovação do projeto ainda exigirá mobilização social e pressão popular permanente.
Mas, se a direita não descansa na tentativa de barrar avanços sociais, nós também não podemos descansar. A orientação é fortalecer as mobilizações nos estados e ampliar a pressão sobre deputados e senadores até a aprovação definitiva do projeto, que garantirá mais qualidade de vida a milhões de brasileiros e brasileiras — em sua maioria negros, com baixa escolaridade e renda média de até dois salários mínimos.
A sociedade brasileira já deixou clara sua posição. Mais de 70% da população se manifesta favoravelmente ao fim da escala 6 x 1 e à redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. Cabe agora ao Congresso Nacional decidir se continuará servindo aos interesses de poucos ou se respeitará a vontade soberana do povo brasileiro.



