Caso Ramagem: o teatro do absurdo de uma oposição perdida
- Fernando Mineiro

- 17 de abr.
- 1 min de leitura

Há algo de quase comovente na criatividade do bolsonarismo quando o assunto é reinventar o uso do dinheiro público. Olhemos para o caso da recente prisão, pelo setor de imigração dos EUA, de Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo Bolsonaro.
Em vez de discutir problemas reais do país, senadores bolsonaristas estão planejando “missões oficiais” com o nobre propósito de visitar um condenado foragido no exterior — tudo, claro, em nome de uma suposta fiscalização.
Dois requerimentos para a criação dessas “missões oficiais” estão tramitando na Casa atualmente.
A cena beira o teatro do absurdo: um dos requerimentos foi votado durante uma reunião relâmpago, esvaziada, fora do horário, mas eficiente o suficiente para aprovar mais um gesto simbólico de lealdade a um projeto que flerta abertamente com o autoritarismo.
O caso de Ramagem não é um detalhe isolado, mas parte de um enredo maior, onde o Estado foi instrumentalizado para alimentar desinformação e minar a confiança nas instituições. Ainda assim, há quem trate tudo isso como perseguição política, ignorando convenientemente o acúmulo de provas e decisões judiciais. A ironia é evidente: os mesmos que bradam contra privilégios parecem bastante confortáveis em usufruí-los quando convém.
No fim, o que se vê é um esforço contínuo de distorcer prioridades, como se proteger aliados envolvidos em tramas golpistas fosse mais urgente do que enfrentar os desafios reais do Brasil.
Movimentos como esse deixam claro qual é a real intenção dessa turma. O único projeto de país do bolsonarismo já conhecemos de cor: anistiar os criminosos que atentaram contra o nosso país e a democracia brasileira.



