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Dia Mundial de Combate à Desertificação: a defesa do futuro do Nordeste e da Caatinga

  • Foto do escritor: Fernando Mineiro
    Fernando Mineiro
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Neste 17 de junho, quando o mundo celebra o Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca, o Brasil tem motivos de sobra para transformar a data em reflexão e ação. Esse não é um simples debate ambiental, estamos diante de um dos maiores desafios sociais, econômicos e climáticos do século XXI, especialmente para o Nordeste brasileiro e para milhões de pessoas que vivem no semiárido.

 

Trato da preservação da caatinga e do combate à desertificação no Brasil há mais de duas décadas com a seriedade que o tema merece, pois minha trajetória parlamentar sempre esteve a serviço da pauta ambiental.

 

Destaco sempre que a caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro, deveria ocupar posição central nas políticas públicas nacionais. Com cerca de 11 mil espécies vegetais catalogadas, abriga uma biodiversidade singular e sustenta a vida de milhões de pessoas e, mesmo assim, permanece frequentemente invisível nos grandes debates sobre desenvolvimento, mudanças climáticas e preservação ambiental.

 

Outra informação que merece destaque e amplia esse debate é o fato da caatinga ser o bioma que mais contribui para a retenção de carbono no país. Estudo recente divulgado pela revista Science of The Total Environment mostra que a caatinga respondeu por quase 50% do carbono capturado no período entre 2015 e 2022.

 

Segundo dados do Instituto Nacional do Semiárido (INSA), aproximadamente 18% do território brasileiro está suscetível à desertificação, fenômeno que afeta cerca de 40 milhões de pessoas em mais de 1.600 municípios distribuídos em 11 estados. A maior parte dessas áreas está localizada no Nordeste, especialmente nos estados do Ceará, Bahia, Piauí, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Esse impacto, segundo a Confederação Nacional dos Municípios, já gerou um prejuízo de R$ 209 bilhões na região.

 

O Rio Grande do Norte aparece entre os estados mais afetados, com cerca de 95% do território apresentando algum grau de suscetibilidade à desertificação, segundo a Sudene. Um alerta que exige respostas estruturadas e permanentes por parte do poder público.

 

As consequências vão muito além do que o senso comum pensa sobre o meio ambiente. A desertificação compromete a produção agrícola, reduz a disponibilidade de água, ameaça a segurança alimentar, aumenta a pobreza e estimula processos migratórios. Em outras palavras, afeta diretamente a vida de agricultores familiares, comunidades tradicionais, povos indígenas, quilombolas e milhares de famílias que dependem da terra para sobreviver.

 

Entre as contribuições efetivas do nosso mandato, estão a criação de projetos, luta por mais investimentos, debates e elaboração de leis voltadas para fortalecer a área.

 

Fui o autor da lei que instituiu a Política Estadual de Combate à Desertificação e criou o Comitê Estadual de Combate à Desertificação no Rio Grande do Norte, além de contribuir para a elaboração do primeiro Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação (PAB Brasil), lançado em 2005 durante o primeiro governo Lula e que em 2026 ganhou sua segunda versão, um trabalho conduzido pelo Ministério do Meio Ambiente com o apoio de várias entidades do setor.

 

Mais recente, também assumi a relatoria da Lei nº 15.430/2026, que instituiu a Política Nacional para Recuperação da Vegetação da Caatinga, transformando o bioma no primeiro do país a contar com uma política nacional específica para recuperação de sua vegetação nativa.

 

Além da nova legislação, foram anunciados instrumentos importantes, como a atualização do Fundo Nacional de Meio Ambiente, um edital de R$ 60 milhões do Banco do Nordeste e do BNDES para restauração da Caatinga e o programa Recaatingar, que pretende recuperar 10 milhões de hectares do bioma nas próximas décadas.

 

Ainda no exercício do mandato de deputado federal, destinamos para o Rio Grande do Norte mais de R$ 35,5 milhões em emendas para ações de acesso à água, agricultura familiar, agroecologia, recaatingamento e desenvolvimento sustentável.

 

São iniciativas que reforçam uma compreensão fundamental: combater a desertificação não significa apenas preservar o meio ambiente, mas proteger a economia regional, garantir qualidade de vida às populações do semiárido e construir um futuro mais sustentável para o Nordeste.

Deputado Federal Fernando Mineiro

Sobre mim

Fernando Mineiro foi eleito deputado federal pelo Rio Grande do Norte (RN) em 2022, com 83.481 votos. Em sua trajetória política, cumpriu quatro mandatos como vereador na Câmara Municipal de Natal e outros quatro como deputado estadual na Assembleia Legislativa do RN.

 

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