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Engorda de Ponta Negra: qual é o projeto da prefeitura para a drenagem da praia?

  • Foto do escritor: Fernando Mineiro
    Fernando Mineiro
  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

A Prefeitura de Natal reconheceu, de forma tardia, que a obra de engorda de Ponta Negra foi entregue inacabada, sem a execução do sistema de drenagem. Caso essa etapa tivesse sido realizada no momento adequado, como alertamos à época, os alagamentos recorrentes na faixa de areia em dias de chuva poderiam ter sido evitados.


Fico à vontade para retomar esse tema porque sempre denunciei que a ausência de drenagem naquela região representaria um problema grave, afetando trabalhadores que vivem da pesca e do comércio, turistas, banhistas e o principal cartão-postal da cidade.


Portanto, esse mea-culpa da prefeitura não é surpresa, nem para mim nem para aqueles que acompanharam esse debate. Sempre me coloquei à disposição para contribuir no que fosse possível, mas prevaleceu a disputa eleitoreira.


É importante destacar também que este não é um episódio isolado. A engorda é apenas mais uma obra iniciada na gestão de Álvaro Dias e inaugurada sem estar concluída, em clara sintonia com o calendário eleitoral de 2024. Trata-se de um método que privilegia a visibilidade imediata, ainda que à custa da qualidade e da responsabilidade com o dinheiro público.


Em entrevista recente, o secretário municipal de Planejamento, Vágner Araújo, afirmou que as obras de drenagem serão realizadas no prazo de dois meses, justamente para minimizar os alagamentos na praia. A declaração, no entanto, levanta questionamentos inevitáveis: se a solução já era conhecida, por que não foi implementada no momento correto? O que se observa é uma combinação preocupante de improviso, oportunismo e falhas na gestão.


Mais do que reconhecer o erro, a atual administração tem o dever de apresentar à sociedade um planejamento claro e detalhar o projeto de drenagem que pretende implementar na praia. Sabe-se que essa não é uma intervenção simples nem barata — pelo contrário, exigirá investimentos significativos. A questão que se coloca é: a gestão de Paulinho Freire pretende resolver o problema de forma definitiva ou realizará mais uma intervenção superficial, guiada por interesses eleitorais? Assistiremos à repetição dos mesmos erros? A população precisa dessas respostas, e o prefeito tem o dever de oferecê-las.


A ausência de drenagem em Ponta Negra não é um problema secundário. Ela afeta diretamente o turismo, compromete a economia local e prejudica trabalhadores que dependem da dinâmica da praia para garantir sua renda. O resultado é a deterioração de um dos principais cartões-postais do Rio Grande do Norte e do Brasil, consequência de decisões apressadas e mal planejadas. E a natureza, como se sabe, sempre cobra seu preço.


É importante lembrar que, ainda durante a execução da obra, já havia alertas sobre irregularidades no processo, incluindo o atropelo de etapas legais e a ausência de licenciamento ambiental adequado. Nossas críticas feitas à época foram desqualificadas por Álvaro Dias e Paulinho Freire como meras disputas políticas. Hoje, diante dos fatos comprovados, fica evidente que os questionamentos tinham fundamento e apontavam riscos concretos.


A engorda de Ponta Negra é, em si, uma intervenção técnica legítima e, em muitos casos, necessária para conter o avanço do mar. No entanto, obras dessa natureza exigem planejamento rigoroso, estudos consistentes e execução responsável. Quando conduzidas de forma apressada e com motivações eleitorais, transformam-se no que se vê agora: soluções frágeis, comparáveis a castelos de areia que se desfazem diante das primeiras adversidades.


Ainda há tempo para corrigir os erros. Mas isso exige mais do que promessas: requer transparência, planejamento e compromisso com o interesse público.


Mais do que reparar uma obra mal executada, a atual gestão tem a oportunidade, e a responsabilidade, de romper com a lógica do improviso e do marketing político. A sociedade não pode mais aceitar intervenções pensadas para gerar impacto imediato, mas sim obras duradouras, planejadas e compatíveis com a importância de Ponta Negra.


É fundamental que a administração municipal apresente, com total transparência, o planejamento para enfrentar esse passivo deixado pela gestão anterior. Repito: a prefeitura precisa detalhar o projeto de drenagem que pretende implementar em Ponta Negra, sob pena de vermos, mais uma vez, uma obra que deveria ser solução transformar-se em problema, prejudicando a vida e o trabalho de milhares de pessoas em Natal.

Deputado Federal Fernando Mineiro

Sobre mim

Fernando Mineiro foi eleito deputado federal pelo Rio Grande do Norte (RN) em 2022, com 83.481 votos. Em sua trajetória política, cumpriu quatro mandatos como vereador na Câmara Municipal de Natal e outros quatro como deputado estadual na Assembleia Legislativa do RN.

 

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