Fim da escala 6 x1: é hora de fortalecer a mobilização popular no Brasil
- Fernando Mineiro

- 14 de abr.
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Chegou a hora do fim da escala 6 x 1 virar realidade no Brasil. Essa é a prioridade zero do nosso governo ainda neste primeiro semestre. E o presidente Lula foi o primeiro a dar o exemplo ao assinar um decreto que reduz, para 40 horas semanais, a jornada de trabalho dos funcionários terceirizados dos órgãos federais, com impacto na vida de mais de 40 mil trabalhadores.
Agora, o desafio é ampliar esse direito para todo o país. E, para que isso aconteça, a mobilização popular deixa de ser apenas importante — torna-se decisiva. Não há avanço social sem pressão. Apesar do apoio crescente, o projeto ainda enfrenta resistência no Congresso de setores alinhados ao empresariado mais conservador, o que tem retardado sua votação na Câmara. A expectativa recai sobre a Comissão de Constituição e Justiça, que deve analisar o projeto do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). A proposta prevê a redução gradual da jornada semanal, estabelecendo a escala 5 x 2 sem redução salarial.
Não se trata de um ajuste pontual, mas de uma transformação estrutural, mudança capaz de redefinir, de forma profunda, a relação entre trabalho, tempo e dignidade no Brasil.
Estamos mais próximos do que nunca de enterrar de vez a lógica exaustiva da jornada 6 x 1. Mas é preciso deixar claro: isso não acontecerá automaticamente, nem da noite para o dia. Nenhuma conquista social relevante na história veio sem pressão, mobilização e participação ativa da sociedade. É necessário ocupar espaços, dialogar nos estados e cobrar, de forma firme, deputados e senadores.
É importante insistir em um ponto que muitos tentam distorcer: a redução da jornada de trabalho não é uma pauta ideológica restrita a um campo político. Trata-se de uma questão humana. O direito ao descanso, ao convívio familiar, ao lazer e à saúde mental não deveria ser objeto de disputa — é um direito básico, universal e inegociável.
Os dados confirmam isso. Pesquisa publicada pela Folha de S. Paulo mostra que 70% da população brasileira apoia a redução da jornada. Não é difícil entender por quê. Os impactos positivos seriam amplos, mas especialmente significativos para as mulheres, que frequentemente acumulam jornadas múltiplas ao conciliar trabalho formal, tarefas domésticas e cuidados familiares.
Ainda assim, há resistência, o que não chega a ser novidade. É importante lembrar sempre que setores conservadores, historicamente alinhados ao atraso social, voltam a agir com as mesmas estratégias de sempre: desinformação e medo. São os mesmos grupos que, em outros momentos da história, se posicionaram contra o fim da escravidão, contra a criação do salário mínimo, contra o 13º salário e contra qualquer avanço que ampliasse direitos, incluindo a redução da jornada de trabalho que, em outros tempos, chegou a estafantes 12 horas diárias. Mudam os argumentos, mas o objetivo permanece: impedir que o país avance.
Também é preciso atenção redobrada ao comportamento de certos parlamentares que, em ano eleitoral, podem tentar se reposicionar de forma oportunista. O voto favorável não basta — é preciso compromisso real. Cabe à sociedade vigiar, cobrar coerência e não se deixar enganar por discursos convenientes de última hora.
O fim da escala 6 x 1 não é apenas uma promessa: é um compromisso assumido pelo governo do presidente Lula. Agora, a responsabilidade está nas mãos do Congresso Nacional.
A pergunta que fica não é mais se essa mudança é possível. Ela já começou. A verdadeira questão é: quem estará do lado certo quando esse capítulo for lembrado no futuro — os que lutaram para garantir mais dignidade ao trabalho ou os que tentaram, mais uma vez, impedir o avanço?
Eu posso afirmar sem exagero nenhum que nosso mandato na Câmara dos Deputados estará onde sempre esteve: ao lado de Lula, da bancada do PT e do povo, defendendo e aprovando projetos que mudam para melhor, e de maneira significativa, a vida de milhões de brasileiras e brasileiros.



