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Fim da escala 6 x1: é hora de fortalecer a mobilização popular no Brasil

  • Foto do escritor: Fernando Mineiro
    Fernando Mineiro
  • 14 de abr.
  • 3 min de leitura
Pressão social e mobilização popular serão decisivas para o fim da escala 6 x1 / Foto: Alessandro Dantas
Pressão social e mobilização popular serão decisivas para o fim da escala 6 x1 / Foto: Alessandro Dantas


Chegou a hora do fim da escala 6 x 1 virar realidade no Brasil. Essa é a prioridade zero do nosso governo ainda neste primeiro semestre. E o presidente Lula foi o primeiro a dar o exemplo ao assinar um decreto que reduz, para 40 horas semanais, a jornada de trabalho dos funcionários terceirizados dos órgãos federais, com impacto na vida de mais de 40 mil trabalhadores.

 

Agora, o desafio é ampliar esse direito para todo o país. E, para que isso aconteça, a mobilização popular deixa de ser apenas importante — torna-se decisiva. Não há avanço social sem pressão. Apesar do apoio crescente, o projeto ainda enfrenta resistência no Congresso de setores alinhados ao empresariado mais conservador, o que tem retardado sua votação na Câmara. A expectativa recai sobre a Comissão de Constituição e Justiça, que deve analisar o projeto do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). A proposta prevê a redução gradual da jornada semanal, estabelecendo a escala 5 x 2 sem redução salarial.

 

Não se trata de um ajuste pontual, mas de uma transformação estrutural, mudança capaz de redefinir, de forma profunda, a relação entre trabalho, tempo e dignidade no Brasil.

 

Estamos mais próximos do que nunca de enterrar de vez a lógica exaustiva da jornada 6 x 1. Mas é preciso deixar claro: isso não acontecerá automaticamente, nem da noite para o dia. Nenhuma conquista social relevante na história veio sem pressão, mobilização e participação ativa da sociedade. É necessário ocupar espaços, dialogar nos estados e cobrar, de forma firme, deputados e senadores.

 

É importante insistir em um ponto que muitos tentam distorcer: a redução da jornada de trabalho não é uma pauta ideológica restrita a um campo político. Trata-se de uma questão humana. O direito ao descanso, ao convívio familiar, ao lazer e à saúde mental não deveria ser objeto de disputa — é um direito básico, universal e inegociável.

 

Os dados confirmam isso. Pesquisa publicada pela Folha de S. Paulo mostra que 70% da população brasileira apoia a redução da jornada. Não é difícil entender por quê. Os impactos positivos seriam amplos, mas especialmente significativos para as mulheres, que frequentemente acumulam jornadas múltiplas ao conciliar trabalho formal, tarefas domésticas e cuidados familiares.

 

Ainda assim, há resistência, o que não chega a ser novidade. É importante lembrar sempre que setores conservadores, historicamente alinhados ao atraso social, voltam a agir com as mesmas estratégias de sempre: desinformação e medo. São os mesmos grupos que, em outros momentos da história, se posicionaram contra o fim da escravidão, contra a criação do salário mínimo, contra o 13º salário e contra qualquer avanço que ampliasse direitos, incluindo a redução da jornada de trabalho que, em outros tempos, chegou a estafantes 12 horas diárias. Mudam os argumentos, mas o objetivo permanece: impedir que o país avance.

 

Também é preciso atenção redobrada ao comportamento de certos parlamentares que, em ano eleitoral, podem tentar se reposicionar de forma oportunista. O voto favorável não basta — é preciso compromisso real. Cabe à sociedade vigiar, cobrar coerência e não se deixar enganar por discursos convenientes de última hora.

 

O fim da escala 6 x 1 não é apenas uma promessa: é um compromisso assumido pelo governo do presidente Lula. Agora, a responsabilidade está nas mãos do Congresso Nacional.

 

A pergunta que fica não é mais se essa mudança é possível. Ela já começou. A verdadeira questão é: quem estará do lado certo quando esse capítulo for lembrado no futuro — os que lutaram para garantir mais dignidade ao trabalho ou os que tentaram, mais uma vez, impedir o avanço?

 

Eu posso afirmar sem exagero nenhum que nosso mandato na Câmara dos Deputados estará onde sempre esteve: ao lado de Lula, da bancada do PT e do povo, defendendo e aprovando projetos que mudam para melhor, e de maneira significativa, a vida de milhões de brasileiras e brasileiros.

Deputado Federal Fernando Mineiro

Sobre mim

Fernando Mineiro foi eleito deputado federal pelo Rio Grande do Norte (RN) em 2022, com 83.481 votos. Em sua trajetória política, cumpriu quatro mandatos como vereador na Câmara Municipal de Natal e outros quatro como deputado estadual na Assembleia Legislativa do RN.

 

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