Lula precisa de um time completo: a importância de eleger deputados (as), senadores (as) e governadores alinhados ao projeto para o Brasil e o RN
- Fernando Mineiro

- 19 de abr.
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O desafio que está posto para 2026 é direto e inadiável: precisamos eleger Lula para garantir que o projeto de reconstrução do país iniciado após o desmonte do governo Bolsonaro continue e avance para além das conquistas já consolidadas. Mas é preciso ir além: esse mesmo eleitor de Lula precisa compreender a importância de escolher representantes no Congresso comprometidos com o mesmo projeto político.
Essa distinção entre Executivo e Legislativo, muitas vezes negligenciada, tem sido um dos principais entraves para a governabilidade no Brasil.
Vota-se para presidente da República com expectativa de mudança, mas se entrega à Câmara e ao Senado uma composição fragmentada, por vezes hostil, que dificulta ou até inviabiliza a execução desse projeto.
Essa contradição precisa ser enfrentada com franqueza. E não trato aqui apenas de estratégia eleitoral, mas de coerência política. Um governo que propõe transformações estruturais — seja na economia, nas políticas sociais ou na reconstrução institucional — depende diretamente de sustentação parlamentar. Sem isso, qualquer avanço será parcial, lento ou condicionado a concessões que diluem o próprio sentido da mudança. Por isso, para garantir a vitória em determinadas votações de interesse da sociedade, é necessário firmar acordos com certos grupos estranhos ao projeto político eleito pela maioria da população.
Portanto, convencer quem vota em Lula a também votar em quem apoia Lula não é uma escolha tática: é uma necessidade política fundamental.
Mas como fazer isso em um cenário de descrença, desinformação e distanciamento entre representantes e representados? A resposta passa, inevitavelmente, por uma mudança de postura. É preciso sair das quatro paredes. A política não pode permanecer restrita aos gabinetes, às redes sociais ou aos círculos já convencidos. A militância digital tem seu papel — e não é pequeno —, mas não substitui o contato direto, a conversa franca, o diálogo olho no olho. É nesse espaço que se constrói confiança, que se desfazem preconceitos e que se estabelece uma conexão real com as demandas da população.
O Brasil é um país de diversidade profunda, onde realidades distintas coexistem e onde a experiência concreta das pessoas nem sempre encontra eco no debate virtual. A presença física, a escuta ativa e a disposição para dialogar com quem pensa diferente são ferramentas insubstituíveis. Não se trata de abandonar o digital, mas de entender seus limites. Curtidas, compartilhamentos e engajamento não se traduzem automaticamente em votos conscientes, muito menos em alinhamento político consistente.
Ao mesmo tempo, é preciso reconhecer que vivemos novos tempos, marcados por transformações nas formas de interação social. O distanciamento, seja ele imposto por circunstâncias recentes ou por mudanças culturais mais amplas, não inviabiliza o contato direto, exige reinvenção. Novas formas de atuação surgem justamente desse contexto: encontros menores, conversas em espaços comunitários, articulações locais, uso inteligente das redes para mobilizar encontros presenciais. A tecnologia pode ser ponte, mas não deve ser o destino final.
Nesse final de semana, estive no bairro das Rocas e testemunhei, ao lado da deputada estadual Divaneide Basílio e de outros companheiros e companheiras de partido, histórias comoventes de mulheres e homens, de várias idades, que tiveram suas vidas transformadas pelos efeitos das políticas públicas criadas e implementadas pelos governo do PT.
Esses relatos só são possíveis de conhecer quando olhamos nos olhos e conversamos com as pessoas.
Essa combinação entre presença territorial e articulação digital é o caminho mais promissor para construir uma base política sólida e consciente. Mais do que convencer, trata-se de envolver. Mais do que pedir votos, é necessário construir entendimento. O eleitor precisa perceber que sua escolha para o Legislativo não é secundária, mas determinante. É no Congresso que muitas das decisões mais concretas são tomadas — ou travadas.
Portanto, o esforço não pode ser episódico nem superficial. Exige organização, constância e, sobretudo, compromisso com a realidade das pessoas. Um Congresso alinhado não se constrói apenas com discursos, mas com trabalho político enraizado na sociedade. E esse trabalho começa fora das bolhas, longe das zonas de conforto, no terreno onde a política realmente acontece.
Nosso mandato tem caminhado ao lado de Lula e de companheiras e companheiros da bancada do PT alinhados a um projeto de governo que mudou a história do Brasil, transformando e melhorando a vida das pessoas, como os relatos que ouvi no bairro das Rocas e que se repetem pelos bairros de Natal e municípios do interior do Rio Grande do Norte por onde tenho andado. Por isso coloquei meu nome novamente à disposição para seguir na Câmara, a partir de 2027.
E se há uma lição clara para 2026, é esta: a vitória no Executivo sem sustentação no Legislativo é incompleta. E a construção dessa sustentação passa, inevitavelmente, pela capacidade de dialogar, convencer e mobilizar. O olho no olho, longe de ser uma prática ultrapassada, pode ser o diferencial decisivo.



