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Rogério Marinho contra as emendas? Só pode ser piada pronta

  • Foto do escritor: Fernando Mineiro
    Fernando Mineiro
  • 21 de abr.
  • 2 min de leitura


Eu já vi de tudo na política, mas essa aqui beira o inacreditável: o senador bolsonarista Rogério Marinho (PL), aquele mesmo que operou o Orçamento Secreto quando foi ministro no governo Bolsonaro, agora anda defendendo, em conversas reservadas com colegas, a redução do pagamento de emendas parlamentares a deputados e senadores.

 

É de cair da cadeira. O Orçamento Secreto foi, afinal, o maior esquema de distribuição de verba pública entre parlamentares já visto — uma espécie de “toma lá, dá cá” turbinado — usado para blindar Jair Bolsonaro de um impeachment durante a pandemia e irrigar prefeituras aliadas. Tudo isso, claro, sob o confortável manto da falta de transparência e da quase inexistente fiscalização dos órgãos de controle.

 

Falo disso com muita tranquilidade porque, desde que o escândalo veio à tona, sustento a mesma tese: o Orçamento Secreto mudou de vez a correlação de forças entre o Executivo e o Congresso Nacional.

 

O presidente da República virou refém de um Parlamento que não apenas indicava para onde iria o dinheiro, mas, na prática, passou a ditar a execução de ações e políticas públicas — sempre condicionado àquela velha moeda de troca eleitoral prometida por prefeitos e prefeitas.

 

A maioria conservadora do Congresso Nacional – e incluo aqui também a maioria da bancada do Rio Grande do Norte - é resultado das emendas sem freio do Orçamento Secreto.

 

Vivemos uma espécie de parlamentarismo orçamentário, o que é muito nocivo para a sociedade. Nosso mandato defende a revisão dos critérios de distribuição das emendas parlamentares. Mudança que só acontecerá se e quando a sociedade se mobilizar nesse sentido. Os deputados e senadores conservadores, que formam a maioria na Casa, não farão nenhuma mudança substancial exatamente porque se alimentam desse processo.

 

Esse arranjo só encontrou algum freio quando o ministro Flávio Dino chegou ao Supremo Tribunal Federal e resolveu fazer o mínimo esperado: suspender as emendas e exigir transparência e fiscalização.

 

Ainda assim, a despeito da criação de mecanismos de controle e transparência, a pressão por emendas continua. É inadmissível, por exemplo, que o Congresso Nacional decida o destino de R$ 50 bilhões em emendas, valor superior aos recursos destinados a muitos ministérios.

 

Agora, essa súbita “mudança de consciência” de Rogério Marinho não surge exatamente por iluminação divina. Como coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, o senador potiguar parece estar olhando bem adiante, já projetando cenários caso o projeto político de destruição do país iniciado por Jair Bolsonaro em 2018 volte a vencer nas urnas em outubro de 2026.

 

Por isso, mais do que nunca, convém manter olhos bem abertos, nas redes e nas ruas. Não custa lembrar aos indecisos o que está, de fato, em jogo. De um lado, um projeto que se apresenta como popular e institucional; do outro, um roteiro já conhecido: ataques à democracia, intimidação de adversários e a tentativa persistente de moldar o Estado aos interesses de poucos.

Deputado Federal Fernando Mineiro

Sobre mim

Fernando Mineiro foi eleito deputado federal pelo Rio Grande do Norte (RN) em 2022, com 83.481 votos. Em sua trajetória política, cumpriu quatro mandatos como vereador na Câmara Municipal de Natal e outros quatro como deputado estadual na Assembleia Legislativa do RN.

 

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