Voto comprado custa caro para a democracia
- Fernando Mineiro

- há 4 horas
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Existem, grosso modo, duas maneiras muito diferentes de votar: por opinião ou por troca. No primeiro caso, o eleitor escolhe porque conhece a trajetória do candidato, concorda com suas ideias - não necessariamente com todas elas - e acredita que ele pode representar seus interesses ou, pensando de forma mais coletiva, as demandas da sociedade. No segundo caso, o voto se transforma em mercadoria: vale dinheiro, favor, promessa ou alguma vantagem imediata. O problema é que aquilo que parece um benefício no dia da eleição pode custar muito caro durante todo o mandato.
Um dos sinais mais preocupantes desse fenômeno é o fato de muitas pessoas sequer se lembrarem em quem votaram nas eleições anteriores ou acompanharem o trabalho daqueles que ajudaram a eleger. Quando o voto nasce de uma relação de troca, a tendência é que a cobrança também desapareça. Afinal, se a escolha foi feita em troca de alguma vantagem, fica mais difícil enxergar o mandato como uma representação política que deve ser acompanhada e fiscalizada.
A compra de votos, geralmente com pagamento à vista com recursos de origem no mínimo duvidosa, também alimenta um círculo perverso. Quem dispõe de grandes quantias para comprar apoio eleitoral, além de não explicar de onde vem o dinheiro, depois de eleito usa o mandato como um instrumento para recuperar o que foi gasto na eleição. É justamente aí que a democracia começa a perder. Recursos que deveriam servir ao interesse público podem ser desviados para atender interesses particulares, redes de favorecimento e grupos que financiam estruturas políticas.
O voto de opinião é diferente. Não significa concordar com tudo o que um candidato defende, mas reconhecer nele valores, propostas e uma trajetória que merecem confiança. É um voto consciente, autônomo e acompanhado. Quem escolhe dessa maneira tende a lembrar em quem votou, cobrar resultados e participar mais ativamente da vida pública.
Por isso, combater a compra de votos não é apenas uma obrigação da Justiça Eleitoral. É uma tarefa de toda a sociedade. O eleitor precisa saber que seu voto é secreto, livre e tem consequências que vão muito além do domingo da eleição. Candidato que compra voto não está oferecendo um benefício: está tentando comprar o direito de representar a população.
No fim, a escolha é de cada eleitor. Mas uma democracia forte depende de cidadãos que entendam que o voto não é uma mercadoria nem um favor. É uma decisão sobre quem terá poder para cuidar do dinheiro público, formular leis e definir os rumos da nossa vida coletiva. Votar com autonomia é, também, uma forma de defender a própria democracia.
Desde a pré-campanha, têm se tornado públicas as tentativas de compra de votos por parte de candidatos e candidatas, com grandes estruturas em Natal e no interior do estado, que vem assediando os eleitores, trabalhando as eleições em um grande balcão de negócios. Fique atento. Não troque sua consciência por um benefício imediato. A democracia não preço.
PS: Caso você saiba de tentativas de compra de votos, denuncie através do pardal, uma ferramenta virtual criada pela Justiça Eleitoral para receber denúncias desse tipo. No pardal, inclusive, você pode acompanhar o andamento da denúncia até o desfecho dado a ela pela Justiça.



