Dosimetria ou impunidade: o recado anti-povo do Congresso Nacional
- Fernando Mineiro

- há 16 horas
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O veto do presidente Lula ao Projeto da Dosimetria, derrubado esta semana pela maioria dos deputados e senadores no Congresso Nacional, revela o abismo entre o Parlamento e as demandas reais da sociedade.
O conluio entre a extrema direita e o Centrão tem um objetivo claro: reduzir a pena de Bolsonaro e dos condenados pela tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023. No entanto, segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a medida também pode antecipar a saída da prisão de cerca de 230 mil criminosos.
No Rio Grande do Norte, apenas eu e a deputada Natália Bonavides votamos contra a redução de penas para bandidos. O restante da bancada potiguar revelou, com seu voto, alinhamento com a lógica perversa de que “bandido bom é bandido solto”. Quem diria, né?
Na prática, o projeto estende a criminosos em regime domiciliar a remição de pena por estudo ou trabalho. No caso de Bolsonaro, por exemplo, a pena cai de 27 para 22 anos. Além disso, para crimes graves, como atentados contra o Estado Democrático de Direito, o tempo mínimo em regime fechado cai de 25% para apenas 16% da pena.
É inacreditável que o Congresso brasileiro esteja mais empenhado em aliviar a punição de criminosos do que em avançar em pautas urgentes, como o fim da escala 6x1, medida que garantiria redução da jornada de trabalho e mais dignidade para milhões de trabalhadores que lutam diariamente para sobreviver, conviver com suas famílias e ter mais tempo para o lazer e o cuidado com seus entes queridos.
É preciso dizer com todas as letras: não basta reeleger Lula, o único presidente comprometido com a reconstrução do país. Sem um Congresso alinhado com os interesses da maioria da população, o Brasil seguirá refém de decisões que favorecem poucos em detrimento de muitos.
Em 2026, o desafio não será apenas escolher, mas corrigir rumos, enfrentar distorções e decidir, com clareza, de que lado da história queremos estar.



